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Malásia ignora pedido das autoridades chinesas e liberta 11 uigures por razões humanitárias

Kevin Frayer/Getty Images

Em fevereiro deste ano, a Reuters noticiava que o país estava sob grande pressão da China para deportar os detidos. Mas as relações sino-malaias sofreram um volte-face com a mudança de Governo na Malásia em maio. Pequim acusa os uigures, uma minoria étnica muçulmana, de planearem ataques contra a maioria han em Xinjiang e noutras regiões

A Malásia libertou 11 uigures detidos no ano passado, depois de fugirem da prisão na Tailândia, apesar do pedido de Pequim para que fossem devolvidos à China. As acusações, relacionadas com questões de imigração, foram-lhes retiradas por motivos humanitários, tendo o grupo voado de Kuala Lumpur para a Turquia na terça-feira, segundo o seu advogado, citado pelas agências de notícias.

Os homens conseguiram escapar da prisão tailandesa, fazendo buracos numa parede e usando cobertores como escadas. Faziam parte de um grupo de mais de 200 detidos na Tailândia em 2014, cerca de metade dos quais foram devolvidos à força à China no ano seguinte.

Em fevereiro deste ano, a Reuters noticiava que a Malásia estava sob grande pressão da China para deportar os 11 uigures. Alguns países ocidentais exortaram as autoridades malaias a não os enviarem para a China. O Governo de Pequim acusa os uigures, uma minoria étnica muçulmana, de planearem ataques contra a maioria han em Xinjiang e noutras regiões.

China reconhece campos de reeducação como política oficial

A decisão desta terça-feira deverá comprometer ainda mais as relações sino-malaias. Desde que foi eleito primeiro-ministro em maio, Mahathir Mohamad já cancelou projetos num valor superior a 20 mil milhões de dólares que tinham sido concedidos a empresas chinesas. A Malásia deteve os homens ainda sob o Governo de Najib Razak, que fez uma aproximação à China. Já Mohamad tem tentado uma abordagem mais moderada em relação a Pequim.

A China tem sido acusada de abusos de direitos na região do extremo oeste, detendo e torturando uigures e reprimindo a sua religião e cultura. As Nações Unidas estimam que cerca de um milhão de muçulmanos na região autónoma de Xinjiang, onde representam cerca de 45% da população, foram detidos e mantidos em campos de reeducação.

Segundo os uigures, os campos destinam-se a substituir na próxima geração a sua identidade pela identidade chinesa. Pequim, que sempre negou as acusações, reconheceu e autorizou esta quarta-feira a existência destes campos como parte do esforço do Governo chinês no combate ao extremismo religioso.

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    A minoria muçulmana Uighur, que, na província de Xinjiang é uma maioria, tem sido perseguida pelo governo chinês que acusa os membros da comunidade de quererem estabelecer um Estado independente e de extremismo religioso. As notícias de que o governo estaria a abrir campos de reeducação ideológica nunca foram confirmadas pela China até esta quarta-feira. Agora, é política oficial

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    Os uigures são uma minoria étnica muçulmana, estabelecida principalmente na região autónoma de Xinjiang, onde representam cerca de 45% da população. Um milhão de uigures estarão em campos de reeducação naquela região. As autoridades de Pequim reconhecem que alguns extremistas religiosos estão detidos, responsabilizando militantes islâmicos e separatistas pela instabilidade em Xinjiang