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Internacional

Trump nomeia como embaixadora uma designer de malas de luxo

Larry Busacca/Getty Images

Lana Marks também é vizinha (e cliente) de Trump em Palm Beach, o que parece explicar a sua escolha

Luís M. Faria

Jornalista

Fontes do governo sul-africano dizem que Donald Trump estará em vias de nomear como embaixadora no país uma designer de malas de mão. Lana Marks, cujas malas têm preços que começam nos 10 mil dólares (8.7 mil euros) e podem atingir quarenta vezes isso, é uma velha conhecida de Trump. Vive desde 1987 em Palm Beach, onde Trump mantém o seu exclusivo clube de Mar-a-Lago, e é ela própria utilizadora desse clube.

Embora Marks não tenha qualquer experiência de diplomacia, nacional ou internacional, em muitos aspetos são óbvias as afinidades entre ela e o atual presidente dos EUA. Enquanto empresários, ambos só trabalham com pessoas muito ricas. Conforme ela explica em entrevistas, nem sequer a marca Louis Vuitton, símbolo internacional de luxo, é suficientemente luxuosa para os seus clientes. A sua própria marca é muito mais exclusiva.

Marks não fica atrás de Trump no exibicionismo, sem esquecer uma boa dose de exagero - para não dizer mentira pura e simples. Por exemplo, quando ela se gaba de ter jogado em torneios de ténis internacionais (onde não há o menor registo da sua presença) ou de ter fundado a sua empresa depois de constatar que não conseguia arranjar uma mala decente para ir a uma festa de aniversário da Rainha Isabel II a bordo do iate real Britannia.

Quanto à ligação com a África do Sul, é verdade que Marks nasceu lá, mas não vive no país há quarenta anos, e a sua biografia no site da empresa omite referências a esse país (ela diz que esteve no Royal Ballet em miúda, mas acabou por ter de admitir que era uma "filial" do Royal Ballet). Viveu nas Bermudas antes de se mudar para Palm Beach, onde garante que todos os anos um terço da riqueza mundial passa de visita.

Entretanto, Melania está em África

A revista "Rolling Stone" lembra que não é o primeiro caso de um vizinho, ou um cliente de Mar-a-Lago, a quem Trump atribui funções oficiais ou deixa gozar privilégios da presidência. Viagens a bordo do Air Force One, por exemplo, parecem ser um brinde a que alguns clientes do clube têm direito. E o proprietário dos New York Jets foi o ano passado nomeado embaixador no Reino Unido.

Curiosamente, a primeira dama, Melania Trump, esteve a semana passada em África, na sua primeira turné oficial sem o marido. Visitou o Gana, o Malawi, o Quénia e o Egito. Tudo países que recordam a forma depreciativa como Trump este ano se referiu à África em geral, usando um termo ordinário que a maioria dos jornais americanos transcreveu pondo estrelas no lugar de algumas das letras.

Mais recentemente, Trump divulgou uma teoria da conspiração segundo a qual está em curso uma matança de fazendeiros brancos na África do Sul. O Governo deste país protestou, e a falsidade da história aprece evidente. Mas não se sabe o que pensa do assunto a presumível futura embaixadora.