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Tony Blair diz que há 50% de probabilidade de um novo referendo ao Brexit

Paul Morigi

Tony Blair, antigo primeiro ministro britânico e um confesso opositor da saída do Reino Unido da União Europeia, disse esta quinta-feira que há “50% de probabilidade” de que um novo referendo se venha a realizar porque o atual governo pode não conseguir passar no parlamento o acordo final com Bruxelas

Tony Blair, ex-primeiro ministro britânico, considera que há 50% de hipóteses de os eleitores do Reino Unido virem a ser chamados a votar num segundo referendo ao Brexit porque, no seu entender, é pouco provável que a primeira-ministra consiga fazer aprovar no parlamento o seu acordo final com Bruxelas.

O ex-primeiro ministro trabalhista, e um dos que mais tempo serviu no cargo, é contra a saída do Reino Unido da União Europeia e, no último ano, tem dado algumas entrevistas a favor de uma nova votação. Dentro do seu partido, porém, este eventual segundo voto não é consensual já que um referendo que pergunte de novo aos britânicos se querem ou não estar na UE é negligenciar a opinião daqueles que já tinham dito ‘não’ no referendo de junho de 2016.

“Qualquer que seja o tipo de Brexit, o resultado será um grande dano económico para o nosso país. Ainda acredito que podemos parar o Brexit porque não há uma maioria parlamentar para a proposta que a primeira-ministra trará de Bruxelas”, disse Blair à agência Reuters.

Theresa May não desistiu ainda de batalhar por um acordo com Bruxelas que garanta o máximo de estabilidade económica ao Reino Unido, o que neste caso seria permanecer no mercado único sem barreiras alfandegárias. Porém, a sua maior batalha continua a ser travada no interior do seu partido conservador onde há quem não queira oferecer qualquer concessão a Bruxelas - por exemplo, a de que o Reino Unido continue de portas abertas aos emigrantes europeus - e quem nem sequer apoie a saída do país da UE de todo.

Para que o acordo com Bruxelas se torne uma realidade, May precisa de o aprovar no parlamento e as contas não são fáceis: a sua maioria é feita de apenas 13 deputados.

O que mais preocupa Tony Blair é, contudo, a questão económica. “Porque é que haveríamos de comprar para nós próprios um problema deste tamanho a nível económico quando atualmente somos tão relevantes neste campo?”, perguntou Blair.

Na opinião de Blair, se depois do Brexit o Reino Unido passar a ser governado pelos trabalhistas de Jeremy Corbyn, um líder muito mais à esquerda do que Blair, o país ficará numa situação “muito complicada e potencialmente muito danosa”. Isto porque “ambos os partidos parecem pensar que podemos sair da União Europeia e depois disso concentrarmo-nos em várias políticas de apoio social que façam do capitalismo um sistema mais igualitário” mas, segundo Blair, isso não é possível. “Eles têm que acordar para o facto de que, se o Brexit acontecer, a nossa maior preocupação será a de manter este país atrativo para investir”.