Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Haddad está curioso: “Bolsonaro está dando tanta entrevista. Pode debater com jornalista e não comigo. De onde saiu essa prescrição médica?”

picture alliance / getty

O candidato da extrema-direita nas eleições do Brasil, Jair Bolsonaro, alegou razões médicas para não se encontrar e não debater esta quinta-feira com o seu adversário, apesar do desafio e dos vários apelos de Fernando Haddad. Bolsonaro optou por falar à imprensa: “Vou debater com um cara que nem poste é. É fantoche e pau mandado, age como camaleão”

Sofia Perpétua, no Rio de Janeiro

Depois de ter alegado razões médicas para não comparecer na no debate com Fernando Haddad (PT), o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) convocou uma conferência de imprensa no Rio de Janeiro com deputados estaduais e federais eleitos pelo seu partido, o Partido Social Liberal.

Haddad questionou esta quinta-feira durante uma entrevista a uma rádio nordestina por que motivo Bolsonaro pode dar entrevistas mas não pode ir a debates. "Fico curioso para saber porque ele está dando tanta entrevista. Pode debater com jornalista e não pode debater comigo. De onde saiu essa prescrição médica? Gostaria de entender melhor. Eu sou leigo, não sou médico, mas gostaria de entender melhor. Pode debater com jornalista, mas não pode debater com adversário."

Bolsonaro admitiu que mesmo que seja autorizado pelos médicos a participar em debates poderá não fazê-lo por motivos de estratégia política. “Vou debater com um cara que nem poste é. É fantoche e pau mandado, age como camaleão.” O candidato do PSL aproveitou para criticar a mudança de imagem na campanha de Haddad, que na segunda volta substituiu o vermelho pelas cores verde e amarela da bandeira brasileira, cores que na primeira volta estiveram mais associadas ao candidato de extrema-direita.

Bolsonaro falou aos jornalistas durante cerca de quase 30 minutos, acompanhado de membros do seu partido. O PSL alcançou uma das maiores vitórias políticas nestas eleições, passando de um para 52 lugares no congresso brasileiro e assinalando um grande crescimento da ala conservadora no Brasil. O candidato do PSL começou por agradecer a Deus ter sobrevivido à facada de que foi vítima durante a campanha, afirmou que nunca falou com Steve Bannon (antigo conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump) e repetiu algumas das ideias que tem defendido ao longo da sua campanha presidencial, como facilitar a compra de armas através de um decreto presidencial ou acabar com as reservas indígenas. Criticou também a cobertura que a imprensa tem feito sobre os recentes casos de violência, nomeadamente o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê, e questionou a motivação política do crime.

Apesar disso, Bolsonaro manifestou-se no Twitter, na noite de quarta-feira, contra os seus apoiantes envolvidos em atos de violência.

A Agência Pública, agência de jornalismo investigativo, juntamente com a Open Knowledge Brasil, divulgou dados sobre crimes relacionados com a eleição. Apoiantes de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o Brasil nos últimos 10 dias, seis apoiantes de Bolsonaro foram agredidos.





Bolsonaro comentou as declarações da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Penn, que se demarcou do discurso de Bolsonaro ao dizer que não o via como um candidato de extrema-direita pois ele dizia coisas “extremamente desagradáveis e intransponíveis em Franca”. Bolsonaro concordou com estas declarações: “Eu não sou de extrema-direita. Sou admirador do Trump. Ele quer a América grande, eu quero o Brasil grande.”

O caso Waters

O músico Roger Waters tocou quarta-feira à noite em São Paulo, depois de na noite anterior ter sido vaiado por parte da plateia por ter listado Bolsonaro como uma grandes ameaças do neofascismo no mundo. Mesmo assim, muitos apoiantes de Bolsonaro fizeram questão de estar presentes no seu segundo concerto e de levar faixas de protesto contra o músico, que respondeu com a frase ‘ponto de vista político censurado’ no lugar onde estaria o nome de Bolsonaro e apelou à humanidade e à resistência dos brasileiros.

Nos Estados Unidos, o jornal Wall Street Journal manifestou na quinta-feira o seu apoio à candidatura de Bolsonaro.

Os próximos debates entre os dois candidatos à presidência do Brasil estariam marcados para os dias 14/10 na TV Gazeta, 15/10 na RedeTV!, 17/10 na SBT, 21/10 na Record e 26/10 na Rede Globo, mas não se devemm realizar.

As eleições da primeira volta deram vantagem a Bolsonaro, com 46% dos votos, deixando Haddad com 29%. As primeiras pesquisas Datafolha para a segunda volta, reveladas quarta-feira, apontam 58% para Bolsonaro e 42% para Haddad.

A segunda volta das eleições que definirá quem será o presidente do Brasil nos próximos quatro anos decorre a 28 de outubro.