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Internacional

Recontagem de votos nulos e brancos deixa S. Tomé e Príncipe em polvorosa

Trovoada em campanha

NUNO VEIGA / Lusa

O partido no poder não obteve maioria absoluta e o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, solicitou ao Tribunal Constitucional que os votos nulos e brancos fossem recontados. Oposição defende que já tinha alertado para "eventuais fraudes" e ameaça impugnar os resultados eleitorais

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Na sequência da apresentação dos resultados das eleições na passada segunda-feira, dois dias mais tarde a oposição são-tomense pediu ao Presidente da República, Evaristo Carvalho, que "queimasse etapas" e viabilizasse a formação de um Governo com "sustentabilidade parlamentar".

Parte da oposição admite impugnar os resultados do voto assegurando que um Governo formado pela ADI, Ação Democrática Independente, no poder e vencedora das legislativas, "sucumbirá" no Parlamento [sem maioria absoluta].

Segundo os resultados provisórios das eleições de domingo, divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), a Ação Democrática Independente (ADI, no poder) venceu as legislativas por maioria simples (com 32.805 votos equivalentes a 25 mandatos em 55 da Assembleia Nacional), seguindo-se o Movimento de Libertação de São Tomé e Princípe- Partido Social Democrata (MSLTP-PSD), com 23 lugares (31.634 votos); a coligação PCD-UDD-MDFM obteve 7.451 votos e elegeu cinco mandatos, e ainda dois deputados eleitos como independentes pelo distrito de Caué (sul do país). A soma dos votos da oposição poderá comprometer a aprovação das medidas da ADI no Parlamento.

O CEN declarou terem sido apurados 2.351 votos nulos e 885 brancos. São estes votos o pomo das discórdia desde que o partido liderado pelo primeiro-ministro Patrice Trovoada, ADI, solicitou, na terça-feira, ao Tribunal Constitucional "a verificação" desses votos, que poderiam garantir ao partido a maioria absoluta.

Trovoada anunciou que vai procurar um entendimento com os deputados de Caué, o que garantiria 27 deputados, menos um que os assentos assegurados pelo MLSTP e coligação.

Em declarações à agência Lusa, o líder do MSLTP-PSD, Jorge Bom Jesus, manifestou a sua preocupação com a possibilidade de os resultados eleitorais virem a ser alterados e ameaçou impugnar as eleições: "O povo de S. Tomé não vai pactuar desta vez com fraudes eleitorais".

Delfim Neves, líder da coligação PCD-MDFM-UDD, deixou claro só exigir que se "cumpra a lei": "Nós já aceitámos os resultados que a CEN anunciou".