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Independentistas catalães desentendem-se e Governo separatista fica em minoria no Parlamento Regional

Parlamento da Catalunha

ALBERT GEA/REUTERS

A Esquerda Republicana da Catalunha juntou-se esta terça-feira à oposição para impedir que os quatro deputados suspensos do Juntos pela Catalunha votassem. Fica agora reduzido de 70 para 61 o número de assentos parlamentares do campo separatista e a viabilidade do Executivo do líder catalão Quim Torra é colocada em dúvida. A oposição pede novas eleições

O Governo separatista da Catalunha viu-se de repente em minoria no Parlamento regional, na sequência do agravamento, terça-feira, das divergências entre os dois grandes partidos pró-independência.

A Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e o Juntos Pela Catalunha (JPC, do ex-presidente Carles Puigdemont) não chegaram a um entendimento quanto à forma de responder à suspensão judicial de seis deputados separatistas, presos ou exilados e acusados de rebelião pelo papel que desempenharam na fracassada proclamação de independência de 2017.

A ERC nomeou substitutos para os seus dois deputados suspensos (o líder Oriol Junqueras, que foi número dois de Puigdemont, e o ex-secretário regional dos Negócios Estrangeiros, Raül Romeva). Contudo, o JPC rejeitou a decisão do tribunal e queria que os seus quatro deputados, incluindo Puigdemont, continuassem a votar no Parlamento.

Depois de meses de tensões e sem vontade de violar a lei, a ERC juntou-se esta terça-feira à oposição para impedir que os quatro representantes do JPC votassem. A perda dos quatro deputados reduz a 61 o número de assentos parlamentares do campo separatista, num total de 135.

De maioria absoluta a uma minoria em apenas dez meses

Nas eleições regionais de dezembro de 2017, convocadas pelo então primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy em resposta à tentativa fracassada de secessão, o bloco separatista conseguiu uma maioria absoluta de 70 assentos, tendo o JPC sido o partido mais votado. Mas as fissuras começaram logo a seguir.

Primeiro foi o pequeno partido separatista Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda antissistema) a retirar o apoio aos seus quatro deputados. Depois, um outro deputado separatista em autoexílio recusou-se a delegar o seu voto, mesmo estando impossibilitado de votar. E na terça-feira o JPC recusou-se a substituir os seus quatro deputados suspensos.

Com os partidos separatistas em minoria, o Parlamento Regional rejeitou propostas caras ao campo independentista, como uma proclamação simbólica do direito da Catalunha à autodeterminação. O panorama atual coloca em dúvida a viabilidade do Executivo do líder catalão Quim Torra (independente designado pelo JPC). A oposição — formada pelo PSC (socialista), PP (conservador), Cidadãos (centro-direita liberal) e Catalunha Sim Podemos (esquerda) — pede eleições regionais antecipadas.