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Trump sobre desaparecimento de jornalista saudita: “Não gosto do que está a acontecer. Espero que as coisas se resolvam”

Ralph Freso/Getty Images

Foram vários os dirigentes políticos americanos a reagir ao desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que foi visto pela última vez na semana passada à entrada do consulado da Arábia Saudita em Istambul. Trump disse apenas: “Não gosto do que está a acontecer. Espero que as coisas se resolvam”. Autoridades turcas pediram para fazer buscas no consulado, que foram entretanto autorizadas pela Arábia Saudita

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que foi visto pela última vez na semana passada, à entrada do consulado da Arábia Saudita em Istambul, já despertou várias reações de dirigentes políticos norte-americanos, incluindo do próprio Donald Trump. O Presidente norte-americano disse-se “preocupado”, espera que o assunto se resolva e garante que, no momento, ninguém sabe exatamente o que se passou, embora haja “algumas histórias más” relacionadas com o assunto. “Não gosto do que está a acontecer”, acrescentou.

Havia dúvidas sobre que reação teria Trump ao desaparecimento do jornalista que vivia exilado nos EUA desde o ano passado, uma vez que situações semelhantes a esta, envolvendo em específico a Arábia Saudita - embora possivelmente menos graves - foram ignoradas pelo Presidente norte-americano no passado. Não houve tweets desta vez, apenas aquelas declarações aos jornalistas na Casa Branca.

Mais longe terá ido o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que em comunicado pediu ao Governo da Arábia Saudita que investigue “de forma exaustiva” o desaparecimento de Khashoggi e que seja transparente sobre os resultados. Pompeo manifestou algumas dúvidas face às “informações contraditórias sobre a segurança e o paradeiro” do jornalista saudita e anunciou que alguns funcionários do Departamento de Estado já abordaram o assunto com o reino saudita através de canais diplomáticos.

Por informações contraditórias entenda-se as diferentes versões que a Arábia Saudita e a Turquia têm apresentado sobre o mesmo acontecimento - enquanto os turcos dizem que o jornalista foi assassinado e desmembrado por agentes sauditas, tendo inclusive pedido provas de que Khashoggi deixou o consulado e pedido também ao embaixador da Arábia Saudita em Ancara para fazer buscas no edifício, que foram entretanto autorizadas, os sauditas dizem que o jornalista abandonou o consulado pouco tempo depois de lá ter entrado com o objetivo de recolher um documento que precisava para oficializar o casamento com a sua noiva turca.

Quem também pediu “respostas” foi Mike Pence, vice-presidente norte-americano, que numa publicação no Twitter mostrou-se “profundamente perturbado” com o sucedido. “A ser verdade que foi assassinado, isso será uma grande tragédia. A violência contra jornalistas em todo o mundo é uma ameaça à liberdade de imprensa e direitos humanos.” Já o senador republicano Lindsey Graham, aliado de Trump, considerou que Riade deve dar “respostas honestas” sobre o jornalista desaparecido e que, se se confirmar que Khashoggi foi assassinado, isso “irá terá profundas implicações na relação entre a Arábia Saudita e os EUA”. “Haverá um preço a pagar, e não só economicamente.”

Crítico do regime de Riade, Jamal Khashoggi, de 59 anos, fugiu da Arábia Saudita no ano passado numa altura em que foi apertada a vigilância sobre intelectuais e ativistas que criticavam o a liderança do príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman. Exilou-se nos EUA e escrevia regularmente para o “Washington Post”.

[NOTÍCIA ATUALIZADA ÀS 12H32]