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Presidente da Turquia exige prova de vida do jornalista desaparecido no consulado saudita em Istambul

OZAN KOSE/AFP/Getty Images

Recep Tayyip Erdogan disse que não basta aos funcionários do consulado dizerem que Jamal Khashoggi saiu do edifício. Na semana passada, o jornalista, muito crítico do regime saudita, entrou no consulado para obter documentos para o seu casamento. Autoridades sauditas garantem que saiu pouco depois mas a sua noiva, que esperava no exterior, disse que ele nunca chegou a sair

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, desafiou esta segunda-feira a Arábia Saudita a fornecer provas de que o jornalista desaparecido Jamal Khashoggi saiu do consulado saudita em Istambul. De acordo com relatos da imprensa, as autoridades turcas solicitaram uma busca no consulado depois de afirmarem que Khashoggi foi assassinado dentro das suas paredes.

“Os funcionários do consulado não se podem salvar dizendo que ele saiu do edifício. Se saiu, têm de provar isso com imagens”, afirmou Erdogan. Ainda na véspera, o Presidente turco garantira estar a acompanhar de perto o caso, anunciando que as autoridades estavam a examinar imagens de videovigilância e registos de aeroporto como parte da investigação sobre o desaparecimento na semana passada de Khashoggi, um crítico com uma voz cada vez mais audível contra os governantes da Arábia Saudita.

O ex-editor de um jornal e conselheiro do antigo chefe dos serviços secretos sauditas deixou o país no ano passado, dizendo temer retaliação pelas suas críticas à política saudita na guerra do Iémen e à repressão das vozes dissidentes. Na terça-feira da semana passada, o jornalista entrou no consulado saudita em Istambul para obter documentos para o seu casamento. Autoridades sauditas garantem que Khashoggi saiu pouco depois mas a sua noiva, que esperava no exterior, disse que ele nunca chegou a sair.

“Não gosto de ouvir falar sobre isso. Espero que isso se resolva”, diz Trump

No domingo, a Turquia anunciou que os investigadores tinham “provas concretas” do assassínio que, segundo eles, foi realizado por uma equipa de 15 sauditas que chegou ao país na semana passada. No entanto, nenhuma prova foi apresentada. O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman já tinha dito que as autoridades turcas eram livres de conduzir uma busca, uma vez que não há nada a esconder.

Khashoggi vivia nos EUA, onde escrevia artigos para a secção de opinião do jornal “The Washington Post”, que exortou as autoridades norte-americanas a exigirem respostas dos sauditas. O Presidente Donald Trump afirmou-se “preocupado” com o assunto: “Não gosto de ouvir falar sobre isso. Espero que isso se resolva. Neste momento, ninguém sabe nada sobre isso.”