Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Mulher de ex-diretor da Interpol teme pela sua segurança e pela dos seus filhos

ROSLAN RAHMAN/Getty

Grace Meng, mulher do ex-diretor da Interpol preso na China, falou à CNN em Lyon, França, e disse que recebeu uma “chamada estranha” onde uma voz desconhecida a avisou que “duas equipas” a “viriam buscar a ela e aos seus dois filhos”

Grace Meng, mulher do ex-diretor da Interpol, Meng Hongwei, que foi preso pelo governo chinês esta segunda-feira por alegadamente ter aceitado subornos, disse à CNN que teme pela sua segurança e pela segurança dos dois filhos gémeos do casal.

Na cidade de Lyon, em França, Grace deu uma entrevista exclusiva à cadeia de televisão norte-americana onde conta que já recebeu uma chamada telefónica “estranha” desde que o marido “desapareceu”. Meng Hongwei chegou a ser dado com desaparecido depois de ter embarcado para Pequim e não ter dado mais notícias. Grace Meng disse ainda que, no telefonema, alguém lhe garantiu que viriam “duas equipas” atrás dela.

Sem conseguir conter a emoção, a mulher do antigo diretor da Interpol, falou dos filhos de ambos, os dois com sete anos de idade, confessando que não lhes tinha dito o que se tinha passado com o pai e que os mantinha afastados das notícias.

Meng Hongwei foi acusado pelo Governo chinês de ter recebido subornos, poucas horas depois de ter sido confirmada a sua detenção por suspeitas de “violação da lei”. A notícia da acusação foi dada pelo ministro da Segurança Pública chinês, Zhao Kezhi, que não avançou contudo mais detalhes sobre as alegações e as condições - assim como o local - onde Meng Hongwei estará detido.

“Não quero quebrar-lhes os corações. Estou muito afetada com isto. As autoridades chinesas fazem as coisas por baixo da mesa, no quarto escuro”, disse à CNN sem nunca mostrar o rosto.

Nada se sabia sobre o paradeiro do antigo presidente da Interpol, que foi também vice-ministro da Segurança Pública do Governo de Pequim, até as autoridades francesas terem dado conta, na sexta-feira passada, do seu desaparecimento quando viajou de França para a China, no mês de setembro.

Em seis anos ao comando da China, o Presidente Xi Jinping mais de um milhão de funcionários do governo já terão sido julgados por alegados crimes de corrupção, muitos desaparecendo durante o tempo de interrogatório.