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Internacional

Entregue à Bélgica diplomata iraniano suspeito em atentado frustrado em França

Diplomata era alvo de um mandado de captura europeu emitido por Bruxelas.

Um diplomata iraniano suspeito de envolvimento num projeto de atentado a uma concentração de opositores ao regime de Teerão no final de junho, em França, foi nesta terça-feira entregue pela Alemanha à Bélgica, anunciou o ministério público federal belga.

Assadollah Assadi, apresentado pelos opositores visados como o "comanditário" do atentado, estava de serviço na embaixada do Irão em Viena antes de ser detido na Alemanha, no início de julho, pouco depois do desmantelamento desse projeto pela Justiça belga. O diplomata era alvo de um mandado de captura europeu emitido por Bruxelas.

Depois de a sua extradição ter sido autorizada a 1 de outubro por um tribunal alemão, "ele foi entregue à Bélgica hoje (terça-feira) e comparecerá amanhã (quarta-feira) perante o juiz de instrução", precisou Wenke Roggen, uma porta-voz do ministério público belga.

A 2 de julho, a procuradoria federal, competente em matéria de terrorismo, anunciou ter frustrado dois dias antes, em Villepinte, na região de Paris, um projeto de atentado bombista que iria atingir a grande concentração anual do CNRI, entidade que reúne os Mujaidines do Povo (MEK, oposição iraniana).

Um casal de belgas de origem iraniana foi detido nesse dia, 30 de junho, na região de Bruxelas, na posse de cerca de 500 gramas de TATP, um explosivo muito instável, na sua viatura. Além do casal e de Assadi, um quarto suspeito, detido em França, foi entregue à Justiça belga durante o verão.

Este caso gerou tensões diplomáticas franco-iranianas numa altura em que as potências europeias, entre as quais a França e a Alemanha, se esforçam por salvar o acordo sobre o programa nuclear iraniano abandonado pelos Estados Unidos do Presidente Donald Trump. A 3 de outubro, as autoridades francesas acusaram o Ministério das Informações iraniano de ter fomentado este projeto de atentado, o que Teerão veementemente negou.

Paris procedeu ao congelamento dos bens em França da Direção da Segurança Interna do Ministério das Informações iraniano, bem como de dois cidadãos iranianos, entre os quais Assadi, "identificado com certeza como um agente dos serviços de informações", segundo uma fonte diplomática francesa.

Na quarta-feira, será um juiz de instrução de Antuérpia, no norte da Bélgica, que o acusará formalmente. Aos olhos dos 'mujaidines' e dos seus apoiantes, esta "conspiração" de 30 de junho é ilustrativa do "terrorismo de Estado" que o regime do Presidente iraniano Hassan Rohani pratica.

Vários participantes na concentração de Villepinte, entre os quais a antiga refém do grupo guerrilheiro colombiano FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt e o ex-primeiro-ministro argelino Sid Ahmed Ghozali, constituíram-se como partes civis no processo judicial.