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Internacional

Anúncio a corrida de cavalos nas “velas” da Ópera de Sidney? Manifestantes tentam interrompê-lo

James D. Morgan/Getty

A polémica decisão opôs a chefe da ópera ao governo e gerou um movimento contra a comercialização excessiva da cultura

Luís M. Faria

Jornalista

"Salvem as nossas velas", "Casa de quem? Nossa casa!", clamaram terça-feira à noite mais de 1000 manifestantes em protesto contra uma projeção publicitária sobre as velas da icónica Ópera de Sidney, um edifício instantaneamente reconhecível em todo o mundo e que consta da lista de Património Mundial da Unesco.

O anúncio, referente a uma famosa corrida de cavalos, deu origem a uma grande polémica que pôs em relevo o dilema entre promover o turismo nacional e proteger a cultura da comercialização excessiva. Um dilema familiar em muitos países, que por vezes opõe os agentes culturais ao governo e ameaça uma paz pouco fácil por natureza.

A ideia de usar as "velas" do edifício para publicitar a corrida Everest foi inicialmente vetada por Louise Herron, a presidente executiva da ópera. Porém, a sua decisão foi vetada pela chefe do governo da província da Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian. Uma decisão entretanto apoiada pelo primeiro-ministro australiano, Scott Morrison: "Não é como se eles estivessem a pintar ali. São luzes a brilhar durante um breve momento, e depois dá a volta ao mundo".

Uma petição lançada para contestar a projeção recolheu mais de 250 assinaturas. As objeções também têm a ver com o facto de estar em causa uma forma de crueldade contra os animais e de a corrida ser ocasião para um enorme volume de apostas, na Austrália e não só. A Ópera não deve ser usada para promover ao mesmo tempo o jogo e a exploração animal, argumentou-se.

Os defensores respondem que se trata apenas de divulgar um grande evento nacional. Na terça-feira passada, um conhecido apresentador de rádio, Alan Jones, repreendeu agressivamente Herron quando a entrevistou no seu programa sobre o assunto, chegando a exigir que fosse despedida. Essa entrevista poderá ter tido efeitos na decisão de Berejiklian.

Entretanto, Jones pediu desculpa. A chefe da ópera, embora desautorizada, não foi despedida. E a projeção luminosa foi mesmo para a frente - durante mais de 20 minutos, não os cinco que chegaram a ser prometidos - apesar dos esforços dos manifestantes para a contrariar com archotes e telemóveis.

"Não é para venda", gritavam, entre slogans de apoio a Herron e promessas de continuar a luta para evitar que a Ópera fique reduzida a um simples cartaz publicitário igual a outros.