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Qadir é o “homem mais azarado do mundo”. Teve 15 milhões na conta e nunca soube

A conta do vendedor de gelados paquistanês foi usada num esquema de lavagem de dinheiro

Um dia a polícia apareceu à porta de Muhammad Abdul Qadir, um vendedor de gelados paquistanês de 52 anos. Tinha mais 18 milhões dólares na conta bancária (cerca de 15,5 milhões de euros), disseram-lhe. Estavam intrigados: como é que um homem que vivia numa espécie de favela tinha tanto dinheiro na conta? Nem Qadir sabia a resposta. Aliás, ele nem sabia que alguma vez tivera tanto dinheiro em seu nome.

“Sou o homem mais azarado do mundo. Quando soube, [o dinheiro] já não estava na conta”, disse Qadir numa entrevista citada pelo jornal “The Guardian”. O dinheiro esteve na conta durante cerca de um ano e o homem garante que nunca deu por nada.

Foi há dois anos que o Baco Estatal do Paquistão informou a polícia de que a conta, supostamente de Qadir, estava a ter movimentos suspeitos. A partir desta denúncia, começou a investigação que culminaria com a detenção do homem para interrogatório com o intuito de se perceber a origem da fortuna.

Embora a conta tenha sido aberta com uma cópia válida do bilhete de identidade do homem, a possibilidade do seu envolvimento foi colocada de parte. O homem não sabe escrever e há um documento assinado, supostamente por si, a aprovar a transferência dos milhões.

“Porque viveria esta vida miserável se tivesse milhões na conta?”, questionou. Qadir vive no bairro de lata de Organi, em Karachi, no sul do Paquistão. Tem dois filhos e não consegue fazer mais do que três libras (aproximadamente €3,50). E desde que a história dos seu infortúnio se espalhou, a vida do vendedor de gelados está bem mais complicada: “As pessoas começaram a gozar e a dizer: ‘vejam o bilionário que vende falooda [um gelado].

Em causa estava uma operação maior de lavagem de dinheiro que envolveu dezenas de contas bancárias falsas. O esquema passava por criar contas em nomes de pessoas das classes mais baixas e, no total, as autoridades estão a investigar 77 contas. Suspeita-se que o antigo Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, esteja de alguma forma relacionado.