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Internacional

Presidente da Interpol que está desaparecido pediu a demissão da agência internacional de polícia

INTERPOL / EPA

As autoridades chinesas admitiram que Meng Hongwei estava a ser investigado por uma nova unidade anticorrupção do Governo por suspeitas de “violações da lei”. De acordo com o ministério francês do Interior, a mulher e os filhos de Meng foram colocados sob proteção da polícia depois de terem sido ameaçados por telefone e nas redes sociais

O presidente da Interpol, Meng Hongwei, que este domingo a China confirmou ter detido, pediu a demissão da agência internacional de polícia. A Interpol anunciou que recebeu a sua renúncia “com efeito imediato” no final do mesmo dia em que, numa declaração curta, as autoridades chinesas admitiram que Meng estava a ser investigado por uma nova unidade anticorrupção do Governo por suspeitas de “violações da lei”.

Pouco antes, a mulher do responsável, Grace, disse ter recebido uma mensagem do marido sugerindo que ele estava em perigo. Em conferência de imprensa em Lyon, cidade onde fica a sede da Interpol, Grace disse que Meng lhe tinha enviado uma mensagem com um emoji de uma faca pouco antes de desaparecer. Quatro minutos antes, Meng tinha-lhe enviado uma outra mensagem: “Aguarda a minha chamada.”

Desde esse contacto, a 25 de setembro, nunca mais teve notícias do marido, disse, acrescentando que, quando ele se encontra a trabalhar no exterior, normalmente eles mantêm um contacto diário.

Com mais de quatro décadas de experiência em justiça criminal, em particular no controlo de drogas, contraterrorismo, imigração e controlo de fronteiras, Meng tornou-se presidente da Interpol em novembro de 2016. Além de ser um alto funcionário de segurança da China, é um membro sénior do Partido Comunista, no poder.

Mulher e filhos sob proteção policial após ameaças

A agência disse estar preocupada com o aparente desaparecimento do seu presidente, tendo o secretário-geral da Interpol exigido um “esclarecimento” de Pequim. Segundo o “South China Morning Post”, citado pelo jornal inglês “The Guardian”, a lei chinesa determina que a família e o empregador de um suspeito devem ser notificados no prazo de 24 horas após a sua detenção, exceto nos casos em que a notificação prejudica as investigações.

De acordo com o ministério francês do Interior, a mulher e os filhos de Meng foram colocados sob proteção da polícia depois de terem sido ameaçados por telefone e nas redes sociais.

O sul-coreano Kim Jong Yang, atualmente um dos quatro vice-presidentes da Interpol, será o presidente interino da organização até que o sucessor de Meng seja nomeado numa reunião no Dubai, agendada para novembro.