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Papa Francisco responsabiliza “o diabo” por divisões e escândalos na Igreja

NurPhoto/GETTY

O Papa reitera que é preciso denunciar os casos de abusos sexuais na Igreja e reparar as vítimas

Numa altura em que a Igreja Católica está envolta em escândalos de abuso sexual e em que aumentam as divisões na instituição, o Papa Francisco acusa “o diabo” de ser responsável por este contexto e apela aos cristãos para rezarem em outubro.

“A Igreja têm de ser salva dos ataques do maligno, o grande acusador e, ao mesmo tempo, tornar-se cada vez mais consciente da sua culpa, dos seus erros e abusos cometidos no presente e no passado”, declarou o Papa no passado dia 29 de setembro, numa mensagem divulgada esta segunda-feira pela Reuters.

Esta não é a primeira vez que Francisco realça a ideia da existência do diabo, sublinhando que não deve ser assumido como um mito ou um símbolo pois essa atitude torna-nos mais “vulneráveis”.

Insistindo na tese já defendida há dois meses durante uma reunião privada que manteve com jesuítas em Dublin, Francisco sustentou que é preciso denunciar os casos de abusos sexuais conhecidos na Igreja e reparar as vítimas.

O Papa apelou ainda aos cristãos para pedirem proteção para a Igreja Católica ao Arcanjo Miguel durante as suas orações este mês.

Um dos principais críticos do chefe máximo da Igreja Católica é o arcebispo Carlo Maria Vigano, que há dois meses acusou Francisco de esconder a má conduta do cardeal Theodore McCarrick, suspeito de ter cometido abusos sexuais.

De acordo com uma declaração de Carlo Maria Vigano divulgada no passado dia 26 de agosto, Francisco tinha conhecimento há muito tempo do comportamento do cardeal Theodore McCarrick, mas “agiu como se não soubesse de nada, assim como outros altos responsáveis do Vaticano”, evitando as devidas sanções que tinham sido anunciadas por Bento XVI em 2009.

Por sua vez, o prefeito da Congregação dos Bispos, o cardeal Marc Ouellet saiu no domingo em defesa do Papa, contrariando a versão de Carlo Maria Vigano. Segundo Marc Ouellet, a “monstruosa acusação” de que Francisco foi alvo é desprovida de sentido e constitui um ataque sem precedentes do arcebispo Carlo Maria Vigano.

“Em resposta ao seu ataque injusto e injustificado sobre os factos, querido arcebispo Vigano, concluo que a acusação é uma montagem política desprovida de substância real que poderia incriminar o Papa”, escreveu Marc Ouellet, reiterando que não existem provas documentais que comprovem tal acusação.

No final de agosto, Francisco – numa carta dirigida a todos os católicos – pediu perdão pela dor sofrida pelas vítimas de abuso sexual na Igreja, apelando ainda ao apuramento de responsabilidades e ao envolvimento de todos os membros da instituição para denunciarem estes crimes.