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Le Pen distancia-se de Bannon e da sua fundação. “Ele é americano, não é europeu”

Thierry Chesnot / Getty Images

O assunto Bannon surgiu durante uma conferência de imprensa em que Le Pen e Matteo Salvini, ministro italiano do Interior, firmaram uma espécie de pacto eleitoral para as eleições europeias que permitirá nomear “candidatos comuns para os papéis mais delicados”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Steve Bannon, o ex-conselheiro de Donald Trump na Casa Branca, quer criar uma fundação na Europa para ajudar os partidos populistas a obter bons resultados nas eleições para o Parlamento Europeu em 2019, mas Marine Le Pen não vê como é que ele possa “desempenhar um papel relevante” neste campo uma vez que é “americano, não é europeu”.

A líder da União Nacional francesa, que falava numa conferência de imprensa em Roma, ao lado de Matteo Salvini, ministro do Interior italiano, disse querer “clarificar uma série de conjeturas” sobre os planos de Bannon, que desvalorizou. “O seu movimento irá fazer estudos, relatórios, análises, mas a força política por trás das eleições será europeia e somente europeia”, afirmou Le Pen, para quem “os representantes dos diferentes povos europeus são os únicos que podem influenciar as forças políticas que pretendem especificamente salvar a Europa”.

Marine Le Pen marcou assim uma posição que difere da adotada aparentemente por Salvini, que no início de setembro encontrou-se com o ex-conselheiro de Trump em Roma. Bannon haveria de regressar à capital italiana, tempos depois, para discursar num evento organizado pelo partido de extrema-direita Irmãos de Itália e expor os seus planos para a Europa. Durante esse mesmo discurso, Steve Bannon disse também que acontecimentos como o Brexit, a vitória de Trump nas eleições presidenciais e a vitória do governo populista em Itália “deram voz a quem tem menos voz”.

Foi em julho que o ex-diretor do site de extrema-direita Breitbart disse querer criar uma fundação para financiar e apoiar os partidos populistas, de esquerda e de direita, a ter bons resultados nas eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para 2019. A fundação terá sede em Bruxelas.

O assunto Bannon surgiu durante uma conferência de imprensa em que Le Pen e Salvini firmaram uma espécie de pacto eleitoral para as eleições europeias de 23 de maio, que permitirá nomear “candidatos comuns para os papéis mais delicados”, e pediram uma “revolução” para fazer nascer uma “frente da liberdade” de partidos soberanistas. O ministro italiano do Interior, de sua parte, afirmou que as eleições vão representar “o final de um percurso e de uma revolução que já está a percorrer a Europa” e aproveitou também para enviar os parabéns a Jair Bolsonaro pela vitória na primeira volta das eleições brasileiras. “Estamos aqui para dar sentido e alma a um sonho de Europa que os burocratas europeus esvaziaram. Os salvadores da Europa estão aqui, não em Bruxelas”, sublinhou.

Também propôs uma “comunidade” europeia no lugar de uma união, que “faça poucas coisas, mas faça bem” e reconheça a “liberdade dos diferentes países, povos e governos”. Le Pen seguiu na mesma linha e criticou a UE, que, disse, “foi construída em cima de muitas promessas, mas poucas conquistas e poucos resultados”. A União Europeia, concluiu a líder da extrema-direita francesa, “tornou-se um sistema totalitário”.