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Guia para Haddad bater Bolsonaro (que envolve humildade e um ministro)

Fernando Haddad

HEULER ANDREY/Getty

Depoimento exclusivo para o Expresso de Oliver Stuenkel, professor na Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, que foi instado a apontar um caminho estratégico para Haddad ter aspirações a bater Bolsonaro na segunda volta das eleições brasileiras

"Para ganhar, ele terá de disciplinar a tropa petista. Acredito que será muito difícil para Haddad mas não é impossível. Ele encara um dilema.

Por um lado, não pode perder a militância, que tem medo que adote uma estratégia parecida com a de Dilma depois da reeleição em 2014, quando ela prometeu uma estratégia mais radical e depois indicou o Levy, um ortodoxo, como ministro da Fazenda.

Por outro lado, ele precisa de convencer o centro (o que resta dele) que ele é a opção mais moderada e que Bolsonaro representa um risco.

Os primeiros sinais mostram que ele tentará aproximar-se do centro. No seu primeiro discurso, quase não mencionou Lula. Gleisi Hoffmann e Dirceu não podem mais soltar coisas radicais como nas últimas semanas.

Haddad terá de anunciar um ministro da Fazenda antes do segundo turno para convencer a classe média que ele aprendeu com os erros do passado. Isso será o mais difícil: terá a liberdade de falar 'sim, erramos, mas aprendemos com os nossos erros, tanto no âmbito da gestão da economia como com a corrupção'?"