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Presidenciais: Brasil prepara-se para escolher entre os mais detestados

Jair Bolsoonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)

Reuters Photographer

Amanhã, 147,2 milhões de brasileiros vão às urnas escolher um presidente, a totalidade dos deputados, um terço dos senadores e os governadores estaduais. Mas, apesar de 13 candidatos presidenciais, tudo leva a crer que a corrida ao Palácio Planalto se vai discutir entre o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro e o candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad.

O capitão reformado mantém-se líder com 36,7% das intenções de voto, seguido pelo ex-prefeito de São Paulo com 24%, revela uma sondagem revelada este sábado pela Confederação Nacional do Transporte. Sondagens que atestam a mesma tendência da revelada pelo DataFolha na sexta-feira: Bolsonaro 39 39% contra 25% de Fernando Haddad. Mas se são os preferidos dos eleitores, são também aqueles que têm maior taxa de rejeição- indicador quase tão importante como a aprovação num sistema a duas voltas. Bolsonaro, candidato pelo Partido Social Liberal, (PSL) é o líder absoluto também neste indicador com 45% dos entevistados a declarem que nunca votaria nele. O homem que substituiu Lula da Silva – preso por corrupção faz domingo exatamente seis meses – surge em segundo lugar rejeitado por 40% dos eleitores.

Todas as sondagens e análise publicadas até este sábado, excluem a hipótese de algum dos candidatos ser eleito já amanhã. Para tal acontecer, o vencedor teria que obter 50% mais um dos votos expressos nas urnas.

A menos de 24 horas das eleições é este o retrato do país. Por um lado, um outsider que capitaliza toda a oposição aos últimos anos de governos liderados pelo PT, com a eclosão da operação Lava Jato que, num primeiro momento, revelou casos de corrupção cujos reponsáveis estariam na órbita próxima do ex-presidente Lula da Silva. Do outro lado, Fernando Haddad quer capitalizar a memória dos avanços sociais promovidos pelos governos do Partido dos Trabalhadores, que tiraram mais de 50 milhões de brasileiros da pobreza. Pelo meio, a destituição de Dilma Rousseff e o desenrolar da Lava Jato e de outras investigações confirmou que a corrupção é sistémica no Brasil e que atinge todo o espectro partidário. Pelo menos três ministros de Michel Temer, que há dois anos substituiu Dilma Roussef na Presidência, foram já presos por corrupção. E o próprio presidente terá que responder a duas acusações da Procuradoria Geral da República por corrupção e organização criminosa quando perder chamado “foro privilegiado” em janeiro de 2019.

Clima tenso e pesado

Tal como fez Lula da Silva em 2006, Jair Bolsonaro faltou ao último debate televisivo realizado na quinta-feira à noite em horário nobre na TV Globo. Porém, a imprensa brasileira destaca que, mesmo ausente, o capitão reformado venceu o debate. “ O que salta aos olhos é que, diferentemente do que ocorreu em outros debates, o clima é pesado e tenso. Os candidatos estão sérios, semblantes preocupados, nervosos. É a última chance”, afirma o site os Divergentes na madrugada desta sexta-feira.

Porém, deu para perceber novos alinhamentos estratégicos. Haddad recebeu o apoio de Guilherme Boulos, o candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o partido da vereadora Marielle Franco assasinada em março deste ano. Por outro lado, a polarização entre o PT e Bolosnaro foi criticada por Ciro Gomes, o candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e por Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, que tem 5% das intenções de voto. Uma insistência na terceira via entre ente PT e anti-PT, que tem vindo a perder força nas últimas duas semanas.

Evangélicos ajudam Bolsonaro

Jair Bolsonaro faltou ao debate na Globo na quinta-feira alegando razões de saúde, mas à mesma hora ganhava tempo de antena em exclusivo na TV Record, a televisão controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus. Enquanto seis candidatos trocavam opiniões na Globo, o candidato de extrema-direita dava uma entrevista de 30 minutos no canal com a segunda maior audiência do Brasil. Isto, poucos dias depois de o bispo Edir Macedo da IURD ter declarado no Facebook o seu apoio a Bolsonaro.

A ajuda televisiva ao candidato de estrema-direita não se esgotou na TV Record. Na semana passada, Jair Bolsonaro recebeu tratamento privilegiado face aos demais concorrentes em entrevistas na TV Bandeirantes e na Rede TV.

O apoio dos evangélicos vem também da Frente Parlamentar Evangélica, que conta com 199 debutados um total de 513 assentos na Câmara dos Deputados. Segundo a edição brasileira do El País, o deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR) lidera o movimento de apoio e promete entregar uma carta ao candidato à Presidência nos próximos dias. “Mais que uma questão natural, é uma questão espiritual. Está acima de qualquer doutrina partidária. É a defesa dos valores da família cristã ", lê-se na carta divulgada pelo “Estado de S.Paulo”.