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A 12 horas da abertura das urnas, o Brasil está numa encruzilhada jamais vista

Apoiantes de Jair Bolsonaro a desfilar na Avenida Paulista, em São Paulo

PAULO WHITAKER

A menos de 12 horas da abertura das urnas, a situação no Brasil está tensa perante a perspectiva de um duelo eleitoral entre o candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro e o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad.

“As coisas por aqui estão tensas. A possibilidade uma vitória eleitoral de Jair Bolsonaro está a deixar as pessoas do campo democrático muito preocupadas”, diz o politólogo Óscar Vilhena Vieira, a partir de São Paulo. “Se há uma vitória de um candidato já na primeira volta, isso irá fortalecer muito o futuro presidente”, explica o diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para Vilhena Vieira, uma vitória à primeira volta do candidato apoiado pelo Partido Social Liberal (PSL) poderá ter consequências imprevisiveis para o futuro da democracia no Brasil. A escolha de um candidato à segunda volta, marcada para dia 28, amenizaria bastante a força do futuro Presidente. “Há toda uma série de negociações e concessões que têm de ser feitas”, acrescenta. Num sistema de presidencialismo de coligação como o que vigora no Brasil, o Presidente é minoritário e terá que fazer alianças para constituir Governo.

Óscar VilhenaVieira lembra que, desde sábado passado, Jair Bolsonaro ganhou bastantes apoios e cresceu nas sondagens. “A incógnita é saber agora se essa onda atingiu o teto ou se irá desvanecer. Há muita especulação em todas as direcções”, salienta o politólogo.

Mas, apesar da extrema polarização que o país vive, o Óscar Vilhen Vieira afasta a possibilidade que possam acontecer episódios de grande violência. “Acredito que o processo eleitoral vá correr bem. Não acredito em incidentes de maior, até porque o candidato do PSL vai isolado nas sondagens. E, por parte da esquerda, há também a percepção que qualquer ato de violência só iria beneficiar Bolsonaro”, acrescentou.

“Uma encruzilhada jamais vista”

“Estamos numa encruzilhada jamais vista, o ambiente é de radicalização e de exasperação. Há uma luta desenfreada para ganhar o voto útil de última hora para evitar a polarização”, diz Armando Rollemberg, a partir de Brasília. O antigo presidente da Organização Mundial dos Jornalistas lembra que de um lado há uma candidato de extrema-direita que “chegou a dizer, entre outras coisas, que o primeiro que mandaria matar seria Fernando Henrique Cardoso “ – ex-presidente do Brasil.

Por outro, “o Partido dos Trabalhadores assombra muita gente. Houve muita promiscuidade e foi provada a corrupção”, diz Rollemberg que foi também fundador do PT da Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizações de que é bastante crítico.

“O Brasil está dividido. A minha família está dividida. A situação está extremamente renhida”, acrescenta. Armando Rollemberg dá como exemplo a situação eleitoral de seu irmão Rodrigo Rollemberg que luta pela reeleição como Governador do Distrito Federal (Brasília) apoiado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

A menos de 24 horas da abertura das urnas, Armando Rollemberg, ainda acredita numa terceira via alternativa à polarização entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. “Estou preocupado que muita gente de centro-direita tenha migrado para o apoio a Bolsonaro”, sublinha. “Estou à espera do resultado das últimas sondagens em relação a Geraldo Alkmnin (PSDB) e a Ciro Gomes: o que estiver melhor posicionado, amanhã terá o meu voto”, acrescenta.