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Justin o subestimado (primeiro-ministro do Canadá)

Drew Angerer

Antes de cumprir o destino traçado pelo ex-Presidente dos EUA, Richard Nixon, Justin Trudeau foi snowboarder, porteiro em discotecas, professor de artes dramáticas e pugilista em part-time. Uns chamam-lhe shiny pony, símbolo de vaidade excessiva, outros olham para ele como um underdog, isto é, alguém que parte para a luta sempre na mó de baixo, mas que se transformou num “político temível”. No próximo dia 19, o sex-symbol da política internacional celebra três anos como primeiro-ministro do Canadá. O Expresso foi até Otava tentar conhecê-lo melhor

Otava é conhecida como a cidade que o divertimento esqueceu. As lojas e os restaurantes fecham a meio da tarde, particularmente no inverno, quando as rajadas do Ártico cortam como facas afiadas. O ambiente tornou-se ainda mais pesado após o ataque terrorista contra o Parlamento, em outubro de 2014. Hoje, multiplicam-se os perímetros de segurança e as patrulhas de militares armados até aos dentes. É como se ainda estivéssemos a sul da fronteira, nos Estados Unidos, onde, após os atentados de 11 de Setembro, esse cenário se repete diariamente em redor de alvos potenciais.

As comparações com os EUA aparecem a cada esquina. Além de se falar inglês, a baixa da capital canadiana é uma espécie de Washington em miniatura, dada a profusão de edifícios governamentais, com a Assembleia situada no topo de uma colina. Lá dentro, ultrapassada a encruzilhada de corredores à entrada, ainda existem vestígios do tiroteio, quando Michael Zehaf-Bibeau, inspirado pelo Estado Islâmico, matou uma pessoa e feriu três antes de ser abatido. Os buracos das balas permanecem intactos na porta de madeira maciça da biblioteca e na ombreira da entrada de uma sala ao lado, onde se refugiaram dezenas de deputados. Nem os rodapés das paredes e colunas de granito em estilo gótico escaparam à fúria.

Chantal Gagnon, porta-voz do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, garante ao Expresso que “os estragos serão preservados como parte da história do Canadá”, país que conquistou a independência apenas em 1867. Neste contexto de necessidade de construir uma identidade nacional, nasce o apego às dinastias políticas, onde a família Trudeau, os Kennedys canadianos, se destaca das demais. Há cerca de três anos, com a eleição de Justin Trudeau, esse estatuto reforçou-se. A oposição chama-o “shiny pony”, símbolo de vaidade excessiva, enquanto os apoiantes olham para ele como um underdog, isto é, alguém que parte para a luta sempre na mó de baixo. Mal ou bem, todos lhe reconhecem o desejo de prosseguir com as políticas do pai.

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