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Peru. Alberto Fujimori voltou à prisão depois de perdão presidencial em dezembro passado

Apoiantes de Fujimori contestam regresso à prisão do ex-Presidente

LUKA GONZALES/AFP/Getty Images

O antigo ditador foi levado para um hospital na capital do Peru, Lima, onde as autoridades chegaram com ordens para o prender. Um advogado disse que o ex-Presidente ficou “consternado” com a decisão mas que irá obedecer enquanto espera por um recurso. A filha Keiko, que terá forçado o indulto no ano passado, queixa-se de “perseguição” contra a sua família

O antigo ditador peruano Alberto Fujimori, preso por violações dos direitos humanos mas perdoado no ano passado, voltou esta quarta-feira para a prisão. A decisão foi criticada pelos apoiantes de Fujimori e pela filha Keiko, que disse tratar-se de uma “perseguição” contra a sua família.

Ao início da noite, Fujimori foi levado para um hospital na capital do Peru, Lima, onde as autoridades chegaram com ordens para o prender. O advogado Miguel Pérez Arroyo disse que o ex-Presidente ficou “consternado” com a decisão mas que irá obedecer enquanto espera por um recurso.

Atualmente com 80 anos, Fujimori governou o Peru como um ditador na década de 1990, depois de suspender a Constituição. Quando no início dos anos 2000 tentou voltar à política, acabou na prisão. Em 2009, foi condenado a uma pena de 25 anos por abusos que incluíram o assassínio de mais de duas dezenas de pessoas por um esquadrão de morte militar que o Ministério Público afirmou ter sido criado por Fujimori.

Filha de Fujimori liderou oposição a ex-Presidente Kuczynski

Em dezembro do ano passado, o então Presidente Pedro Pablo Kuczynski perdoou o antigo ditador alegando motivos médicos. O anúncio foi recebido com surpresa, uma vez que Kuczynski não era um aliado de Fujimori. No entanto, o chefe de Estado enfrentava uma ameaça de destituição liderada por Keiko Fujimori, que ocupava um lugar no Congresso, levando muitos a ver o perdão como parte de um acordo para a sobrevivência política de Kuczynski.

A libertação motivou uma condenação pelas Nações Unidas e protestos organizados por grupos de vítimas. Em março deste ano, a filha de Fujimori liderou um novo esforço para derrubar Kuczynski por causa de um escândalo de corrupção e o Presidente acabaria por renunciar. Entretanto, Fujimori continuou em liberdade – até esta quarta-feira.