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O que vai fazer Salvini? Navio de resgate com bandeira italiana parte em direção à Líbia para salvar migrantes

NurPhoto/Getty

Não é certo que esta missão de salvamento consiga fazer desembarcar todas as pessoas que venha a salvar no Mediterrâneo - isso ainda pode ser negado pelo governo italiano, cujo ministro do Interior, Matteo Salvini, é publicamente contra a entrada de refugiados no país

Um navio não-militar com bandeira italiana está neste momento a caminho da Líbia para ajudar no resgate das pessoas que continuam todos os dias a tentar chegar à Europa. É notícia porque é o primeiro a fazê-lo desde que a crise dos refugiados começou e entra totalmente em colisão com as diretivas do atual ministro do Interior, Matteo Salvini, que fechou os portos a todos os barcos de resgate de migrantes que não tenham bandeira italiana. Ora este tem.

O Mare Jonio tem 38 metros e foi adquirido e equipado por um grupo abrangente de políticos, intelectuais e vários ativistas pró-imigração. “Queremos afirmar princípios de solidariedade que os políticos de direita aparentemente esqueceram”, disse Erasmo Palazzotto, do partido de esquerda LeU (Liberdade e Igualdade), aos jornalistas.

Mesmo com bandeira italiana, não é certo que as pessoas que sejam resgatadas possam desembarcar, mas as pessoas que estão a dirigir a missão estão preparadas para isso.

‘‘Será que devemos esperar que Salvini nos feche, também a nós, italianos, os portos? Somos italianos, temos a bandeira. E se eles se recusarem a deixar desembarcar pessoas, então seremos a voz delas a partir daqui de dentro”, acrescentou Palazzoto.

As políticas anti-imigração de países como Itália ou Malta significam que os portos destes países deixaram de estar abertos ao desembarque de migrantes e, por isso, as missões de salvamento decresceram acentuadamente no último ano. O que não quer dizer que as pessoas deixem de tentar a travessia, significa apenas que morrem mais porque os barcos rudimentares que as trazem à Europa nem sempre aguentam a viagem. Em agosto, 177 pessoas salvas no Mediterrâneo foram impedidas de desembarcar em Itália continental. Desembarcaram em Catania, na Sicília, mas esperaram uma semana dentro do barco.

“Esta é uma missão de desobediência mas também de obediência a valores cívicos. Vamos desobedecer ao nacionalismo e à xenofobia e, em vez disso, obedecer à nossa Constituição, à lei internacional e à lei do mar, que obriga a salvar vidas”, disse ainda a missão em comunicado.

Na embarcação seguem duas organizações não-governamentais: Pro-Activa e a Seawatch. Em 2018, 21.041 pessoas tentaram a travessia e 1.260 morreram.