Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Kavanaugh. Comité Judicial do Senado diz que não foi encontrado nenhum indício de má conduta no relatório do FBI

EPA/TOM WILLIAMS/POOL

O relatório da polícia federal norte-americana foi entregue na madrugada desta quinta-feira no Senado e ao início da manhã os senadores preparavam-se para ler o documento. Votação de confirmação do nome do juiz Brett Kavanaugh ao Supremo Tribunal de Justiça realiza-se na sexta-feira

O presidente do Comité Judicial do Senado norte-americano afirmou esta sexta-feira que o FBI não encontrou qualquer indício de má conduta na investigação adicional sobre os alegados abusos sexuais cometidos pelo juiz Brett Kavanaugh, candidato ao Supremo Tribunal.

O relatório da polícia federal norte-americana (FBI) foi entregue hoje de madrugada no Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) e ao início da manhã de hoje os senadores preparavam-se para ler o documento.

Num comunicado citado pela agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP), o presidente do Comité Judicial, o senador republicano Chuck Grassley, afirmou que tinha sido informado do conteúdo do relatório confidencial pela sua equipa.

"Não há nada (no documento) que nós já não soubéssemos", referiu o senador do Estado do Iowa, na mesma nota informativa. O político republicano disse que o FBI não conseguiu encontrar pessoas que pudessem "provar qualquer das alegações" de conduta sexual imprópria contra Kavanaugh.

Apenas os senadores e um número limitado de assessores têm acesso autorizado ao relatório, que pode ser consultado numa sala segura no complexo do Capitólio (sede do Congresso norte-americano). Os senadores estão impedidos de revelar o conteúdo do documento.

Brett Kavanaugh, um juiz conservador de 53 anos que foi apontado em julho passado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para ocupar um lugar na mais alta instância judicial norte-americana, nega todas as acusações.

Chuck Grassley referiu ainda que chegou o momento de votar a confirmação de Kavanaugh, classificando o juiz federal como "um dos candidatos mais qualificados que alguma vez compareceu diante do Senado".

Na noite de quarta-feira, horas antes da entrega do relatório, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, reafirmou a intenção de avançar para a votação da confirmação em plenário na sexta-feira.

O Senado, segundo a Constituição norte-americana, é o órgão responsável pela confirmação dos elementos que compõem o Supremo Tribunal, a mais alta instância judicial norte-americana que desempenha um papel fundamental no debate dos temas mais importantes da sociedade dos Estados Unidos, como o direito ao aborto, o casamento de pessoas do mesmo sexo ou a regulamentação das armas de fogo.

O juiz Brett Kavanaugh está a ser acusado publicamente de conduta sexual imprópria por pelo menos três mulheres.

A primeira a acusá-lo foi Christine Blasey Ford, que, há uma semana, esteve no Senado para explicar sua versão dos acontecimentos, que teriam ocorrido numa festa em 1982.

Na passada sexta-feira, e após várias audiências, o Comité Judicial do Senado aprovou a recomendação do nome de Brett Kavanaugh.

Os 11 membros republicanos que compõem o comité votaram a favor da recomendação da confirmação de Kavanaugh no Senado. Os restantes elementos do comité, dez democratas, opuseram-se.

Posteriormente, e perante as dúvidas levantadas no Comité Judicial do Senado por alguns senadores, incluindo o republicano Jeff Flake, o Presidente Trump ordenou uma investigação adicional do FBI às alegações contra Kavanaugh, o que adiou por uma semana a votação em plenário.

Atualmente, os republicanos detêm uma estreita maioria no Senado, 51 lugares contra os 49 dos democratas. Pelo menos três senadores da maioria republicana manifestaram reservas quanto à confirmação do juiz, fazendo depender o seu voto do conteúdo da investigação do FBI.

Os três senadores republicanos que podem decidir o destino da confirmação, criticaram nos últimos dias o Presidente Donald Trump por ter ridicularizado a professora Christine Blasey Ford, imitando, durante um comício, as suas respostas perante o Comité Judicial.

O FBI entrevistou várias pessoas, incluindo três que a professora Ford disse terem estado na festa onde Kavanaugh a terá atacado e um amigo do juiz.

A agência falou também com uma segunda mulher que alega que Kavanaugh se expôs para ela numa festa, quando os dois eram estudantes na universidade de Yale.

Os democratas pediram que o FBI fizesse uma apresentação do documento ao Senado antes da votação, o que foi recusado pela maioria republicana.