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Três meses depois, polícia francesa captura detido que se evadiu num helicóptero

IAN LANGSDON

Redoine Faïd estava com a família, na sua terra-natal, e não ofereceu resistência ao ser detido. Em julho, a sua fuga da prisão de Réau correu mundo, pela espetacularidade envolvida

O homem mais procurado de França foi detido... outra vez. Cerca de três meses após a fuga espetacular da prisão de Réau – com direito a drones e helicóptero – Redoine Faïd foi finalmente capturado, esta madrugada, pela polícia de Versalles. Segundo as informações disponíveis, os agentes localizaram-no na sua terra-natal, Creil, acompanhado por um irmão e dois sobrinhos, que foram detidos também (a AP fala ainda de uma mulher).

Faïd, 46 anos, estaria na posse de diversas armas mas não ofereceu resistência, nem houve feridos a registar durante a operação. Os investigadores acreditavam que não podia estar longe, dada a sua frágil situação financeira, pelo que o ter-se escondido numa zona familiar não foi surpresa.

A fuga daquele que é também conhecido como “o rei da evasão” representou um embaraço para as autoridades francesas, surpreendidas por um plano digno do melhor enredo cinematográfico.

Preso nos arredores de Paris desde 2015, Redoine Faïd fugiu no dia 1 de julho, depois de três cúmplices terem usado bombas de fumo e rebarbadoras para forçar a entrada no estabelecimento prisional, retirando o detido da sala de visitas, para o levar até ao helicóptero onde se fizeram transportar e no qual o grupo fugiu. Tudo isto não durou mais de dez minutos. Recapturá-lo tornou-se então uma prioridade.

Faïd cumpria uma pena de 25 anos por uma tentativa de assalto a uma carrinha de valores blindada, na região de Paris, em 2010, da qual resultou a morte de uma agente da polícia municipal.

Roubar, uma vocação

Mas já antes disso era um velho conhecido das autoridades. Nascido numa família numerosa no norte de França, na localidade onde veio agora a ser encontrado, a sua carreira no crime começou cedo, aos seis anos.

O primeiro "assalto" terá tido por alvo um supermercado local, de onde levou um carrinho de compras cheio de doces. Dito pelo próprio, roubar foi uma vocação descoberta aos 12 anos, que o havia de levar a seguir o caminho do crime.

OLIVIER ARANDEL

O primeiro assalto sério foi cometido em 1995, tinha então 23 anos, e envolveu a tomada de reféns: a família do gerente da dependência do banco BNP Paribas que roubou.

Três anos depois, outro assalto, a uma carrinha de transporte de dinheiro, valeu-lhe uma condenação a 18 anos de prisão.

Era essa a sentença que cumpria quando, em 2013, protagonizou a sua primeira fuga digna de Hollywood, ao retirar uma arma de um saco na sala de visitas do centro de detenção de Lille, fazendo reféns quatro guardas, até detonar os explosivos que destruiram as portas necessárias para conseguir escapar, usando um automóvel estacionado no exterior.

Nessa altura usou barba e peruca. Mas depois de uma perseguição internacional que envolveu dezenas de países, ele foi capturado num hotel a leste de Paris e trancado numa prisão diferente.

Os meios de comunicação social franceses contam também que num festival de cinema em Paris, em abril de 2009, Faïd terá interpelado o realizador Michael Mann, para lhe confessar que o tinha como “conselheiro técnico” por causa do filme “Heat” (com Al Pacino e Robert de Niro), através do qual aperfeiçoou o seu “método para roubar bancos”.

Redoine Faïd escreveu mesmo dois livros, onde explica como foi crescer como delinquente nos subúrbios de Paris. Deu entrevistas a vários canais de televisão, tendo chegado a manifestar o seu arrependimento em relação ao passado e jurado estar determinado a mudar de vida.