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“Toda a gente devia visitar este sítio”: Melania Trump no “castelo de escravos” do Gana

SAUL LOEB/Getty

A primeira-dama norte-americana está no Gana e esta quarta-feira visitou o castelo de Cape Coast, um dos locais onde os escravos eram presos antes de entrarem nos navios que os levariam para uma vida de violência e trabalho forçado. A visita de Melania está a ser vista como uma tentativa de separar as posições algo controversas do seu marido, Donald Trump

Melania Trump começou o segundo dia da sua visita ao Gana, a primeira oficial sem Trump, com uma passagem pelo antigo porto de venda de escravos. Melania disse que “nunca esquecerá” este dia, mostrou-se “bastante emocionada” e sublinhou que este é sítio que “toda a gente devia visitar”.

O castelo de Cape Coast, a cerca de 145 quilómetros da capital, Acra, é um dos quase 50 “castelos de escravos” construídos pelos colonizadores europeus onde estas pessoas ficavam presas à espera de serem vendidas. Barack Obama, antigo Presidente dos Estados Unidos, e a sua família já tinham visitado o espaço em 2009 e, como seria de esperar, as duas visitas estão a ser alvo de comparação. Na altura, Obama disse que aquele sítio servia para recordar que “o ser humano é capaz de grande mal”.

“O interesse do público nesta visita é pouco modesto, muito pouco efusivo. Há muitas pessoas no Gana profundamente indiferentes”, disse o comentador político e escritor Etse Sikanku à agência France Press.

Uma parte da culpa pode ser do próprio Trump, que já disse que alguns países africanos se assemelham a “esgotos”, mas Melania está no Gana em nome próprio e para promover o seu plano de ajuda à integração social de crianças desfavorecidas.

A visita de Melania Trump está a ser lida pelos meios de comunicação de todo o mundo como uma tentativa de a primeira-dama se afastar de algumas decisões e comportamentos controversos do seu marido, que, num comício esta terça-feira, gozou com Christine Blasey Ford, a mulher que no Comité Judicial do Senado acusou a escolha de Trump para o Supremo, Brett Kavanaugh, de abuso sexual.

Melania caminhou pela chamada “porta sem retorno”, por onde milhares de africanos eram levados para dentro de enormes navios em direção a uma vida de trabalho forçado com muita pouca esperança de algum dia regressarem aos seus países de origem. Depois da visita, a primeira-dama norte-americana escreveu no Twitter: “Segundo dia no Gana teve um grande impacto. A visita a Cape Coast serve para nos lembrar que há alturas na nossa História que nunca devemos esquecer”.