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Theresa May tenta puxar conservadores para “o decente e moderado” depois de nova investida do seu ex-MNE

Carl Court/WPA Pool/Getty Images

A primeira-ministra britânica elegeu o líder trabalhista Jeremy Corbyn como o seu principal alvo no discurso desta quarta-feira na conferência do Partido Conservador. No entanto, é com Boris Johnson que May deverá andar mais preocupada. O antigo chefe da diplomacia voltou a atacar duramente as suas propostas para depois da saída do Reino Unido da União Europeia

A primeira-ministra britânica Theresa May vai dizer esta quarta-feira que os conservadores podem representar “o decente, o moderado e o patriótico”. A alocução de May na conferência do Partido Conservador, antecipada pelo jornal inglês “The Guardian”, acontece um dia depois de o ex-chefe da diplomacia Boris Johnson ter ensaiado um novo ataque à liderança do partido.

O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, vai ser o principal alvo da chefe do Executivo, argumentando May que “milhões de pessoas que nunca apoiaram” os tories estão chocadas com o que Corbyn “tem feito ao Labour”. Com a mira também apontada aos votos do centro, May vai defender que essas pessoas querem apoiar “um partido que coloca o interesse nacional em primeiro lugar” e que “está confortável com uma Grã-Bretanha moderna em toda a sua diversidade”.

Apropriando-se do slogan “for the many, not the few” (para muitos, não para poucos) de Corbyn, May deverá concluir dizendo que o Partido Conservador deveria ser “um partido não para poucos, nem mesmo para muitos, mas para todos os que estão dispostos a trabalhar arduamente e a dar o seu melhor.”

“Chequers é uma fraude”, diz Johnson

Na terça-feira, na sua única aparição na conferência, Boris Johnson fez um discurso de 40 minutos apontado à liderança dos tories, pedindo um regresso ao otimismo e alertando para a crise imobiliária que o Governo devia resolver. No confronto com os trabalhistas, os conservadores não serão bem-sucedidos se os imitarem mas antes se apontarem “sistematicamente o dano que eles provocariam”, defendeu o antigo ministro de May.

Johnson repetiu as suas críticas às propostas da primeira-ministra para um Reino Unido pós-Brexit, alertando que “Chequers é uma fraude”, numa referência ao plano delineado na residência de campo de May no verão passado, que precipitou a demissão do ministro para o Brexit, David Davis, e a sua própria demissão como ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Isto não é pragmático, não é um compromisso. É perigoso e instável, política e economicamente. Isto não é democracia. Não foi isto que votámos. Isto é um ultraje. Isto não é ter o controlo de volta, isto é perder o controlo”, criticou. Theresa May disse que não assistiu ao discurso do seu antigo ministro.