Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Theresa May dançou Abba no congresso dos conservadores e quase não acusou o toque dos eurocéticos do seu partido

O discurso do seu maior inimigo, Boris Johnson, não foi suficiente para causar um problema sério a Theresa May no congresso dos conservadores, que terminou esta quarta-feira em Birmingham. A primeira-ministra britânica dançou e gozou com ela própria

Theresa May entrou no congresso dos conservadores em Birmingham a dançar “Dancing Queen”, dos ABBA. Magra, de sapatos de salto e sem grande coordenação de movimentos, o analista político Martin Kettle escreve no “The Guardian” que, mesmo assim, “é possível que May seja a melhor aposta que os conservadores podem fazer” durante os atribulados meses que de certo se seguem nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia.

Previa-se um congresso fratricida com a fação “antiMay”, ou seja, aquela que despreza a Europa e pede uma saída com pouquíssimas ou nenhumas concessões a Bruxelas a ocupar pelo menos durante umas horas o palco principal, mas a primeira-ministra acabou por sair menos amolgada do que se previa.

Continuando com as analogias a potenciais sinistros rodoviários, o professor de política europeia no King’s College de Londres Anand Menon teve este comentário, citado no “New York Times”, no fim da conferência: “Ela é como um Jeep dos velhos, a abrir caminho, devagarinho, por um campo cheio de buracos”. Uma das propostas que mais aplausos recebeu foi a de libertar mais fundos para as autarquias para que pudessem construir mais casas acessíveis, já que o preço das casas no Reino Unido é uma das maiores preocupações da população. Esta medida, disse May, faz parte do seu plano de “vender” o seu partido conservador como “um partido para todos”.

A pasta de toda a discórdia, o Brexit, ocupou uma boa parte do discurso de May, que deixou uma aviso ao eurocéticos do seu partido. “Se começarmos todos a seguir uma direção diferente, atrás das nossas visões pessoais para o Brexit, corremos o risco de não termos Brexit de todo”, disse a primeira-ministra, que prometeu um aliviamento das medidas de austeridade que “deixaram muitos britânicos para trás” depois da saída do país do bloco europeu, que deve acontecer às 23h59 de dia 29 de março de 2019 - mesma hora em Lisboa.

Este mês, May irá encontrar-se de novo com os (ainda) parceiros europeus para discutir o acordo final mas, entretanto, a pressão por um segundo referendo está a aumentar.

grupos de pressão por um segundo referendo para reverter o Brexit e outros, de onde constam a maioria dos deputados trabalhistas, que querem uma votação ao acordo que May consiga com Bruxelas. O problema aqui é que como May tem uma maioria de apenas 13 deputados e muitos dos seus próprios conservadores não estão contentes com as negociações, fala-se de um perigo real de que ela possa mesmo ver o seu acordo bloqueado na Câmara dos Representantes.