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Internacional

O jovem jornalista eslovaco Jan Kuciak terá sido morto por um ex-polícia

Miroslav M., o ex-militar, guiou a viatura usada no crime

VLADIMIR SIMICEK

É o que indicam as últimas revelaçoes feitas pela polícia eslovaca, que sugerem o envolvimento de pessoas mais acima

Luís M. Faria

Jornalista

O assassinio do jornalista eslovaco Jan Kuciak, especialista em investigações que incomodavam muita gente poderosa no seu país, poderá finalmente estar a ser esclarecido. Na semana passada, as autoridades do país já tinham anunciado a detenção de quatro pessoas relacionadas com o crime – um ex-polícia e um ex-militar, um empresário e uma intéprete de italiano. Agora descreveram qual terá sido o papel de cada uma delas no crime.

O ex-polícia, Thomas S., foi o executante; Miroslav M., o ex-militar, guiou a viatura usada no crime; a mandante foi a intérprete, Alena Z., que recorreu a Zoltan A., um intermediário.

Embora os apelidos dos suspeitos não possam ser divulgados por lei, já apareceram em órgãos de comunicação estrangeiros. Designadamente italianos, o que é significativo, dado o profundo envolvimento da mafia calabresa na Croácia.

Em fevereiro passado, a morte de Kuciak gerou um escândalo que acabou por levar à queda do primeiro-ministro, Robert Fico. Kuciak, que tinha 27 anos e trabalhava para um site Aktuality.sk, foi abatido a tiro juntamente com a sua noiva, Martina Kusnirova, na casa que os dois partilhavam a 65 quilómetros de Bratislava. Segundo a polícia, o alvo era só ele. Martina teve o azar de estar no sítio errado à hora errada.

O preço do crime terá sido de 70 mil euros. Embora Alena Z. seja conhecida pelas suas ligações a Marian Kocner, um homem de negócios a quem as investigações de Kuciak irritavam com frequência, e que já o tinha ameaçado, para já as autoridades não estão a afirmar uma relação direta.