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Jornalista saudita crítico do Governo desaparece em Istambul

Jamal Khashoggi é colaborador do “Washington Post” e ninguém voltou a vê-lo desde que entrou no consulado saudita para tratar dos documentos para o casamento com a noiva turca. A preocupação pela sua segurança levou já o Departamento de Estado norte-americano a investigar o caso

Um jornalista saudita, crítico do Governo do seu país, está desaparecido desde que visitou o consulado da Arábia Saudita em Istambul, esta terça-feira, alerta o jornal “The Washington Post”, que receia pela segurança do seu colaborador habitual.

Jamal Khashoggi, 59 anos, ex-assessor do Governo saudita, partiu para o exílio nos Estados Unidos, no ano passado, para evitar uma possível prisão. Khashoggi é conhecido por criticar as políticas do príncipe herdeiro do reino saudita e a intervenção do país no Iémen.

Segundo a sua noiva, que o acompanhou ao consulado ficando no exterior à sua espera, ele não voltou a ser visto até à hora de encerramento do local.

No site pessoal de Khashoggi aparece agora um banner com a mensagem “Jamal foi preso no Consulado da Arábia Saudita em Istambul!”, mas não é dito mais nada. A Arábia Saudita emitiu um comunicado oficial negando qualquer envolvimento no caso. A nota adianta que o jornalista saiu logo depois de visitar o consulado.

“Não conseguimos entrar em contacto com o Jamal e estamos muito preocupados”, afirmou o editor de internacional do “Washington Post”. Eli Lopez acrescentou que o jornal está a seguir de perto a situação, à procura de informações. “Seria injusto e indigno verificar que foi detido pelo seu trabalho como jornalista. Esperamos que esteja seguro e que possamos saber dele em breve”, concluiu.

A preocupação é justificada pela recente detenção de outras pessoas, empresários, políticos e ativistas, fruto da ascensão política do príncipe Mohammed bin Salman, de 33 anos.

Como jornalista, Khashoggi escreveu várias vezes sobre a Arábia Saudita, condenando também a recente disputa diplomática com o Canadá ou a prisão de ativistas dos direitos das mulheres desde o levantamento da proibição destas conduzirem.

“Estão a pedir-nos que abandonemos qualquer esperança de liberdade política”, escreveu Khashoggi num artigo a 21 de maio, para o “Washington Post”. “Espera-se que aplaudamos vigorosamente as reformas sociais e elogiemos o príncipe herdeiro, evitando qualquer referência aos sauditas pioneiros que ousaram abordar essas questões décadas atrás.”

O jornalista precisou de ir ao consulado para tratar da documentação necessária para se casar com a noiva turca, na semana que vem. Ao entrar, entregou-lhe o telemóvel, disse um amigo do escritor à Associated Press. É frequente que as embaixadas no Médio Oriente exijam que os telefones fiquem fora dos edifícios, como medida de segurança.

O Departamento de Estado norte-americano já anunciou que está a investigar o caso.