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FBI ainda não entrevistou primeira mulher a acusar Kavanaugh de abuso sexual. Trump ridicularizou-a

Christine Blasey Ford, a mulher que a América (e não só) queria ouvir

EPA

Os advogados da professora Christine Blasey Ford enviaram uma carta à agência, afirmando ser “inconcebível” que o FBI conduza uma investigação completa sem entrevistar a sua cliente. O Presidente reiterou o seu apoio a Kavanaugh, dizendo acreditar que o Senado acabaria por confirmar o juiz. Mais tarde, ridicularizou o depoimento de Ford num comício

A equipa do FBI que está a investigar as acusações de conduta sexual imprópria contra Brett Kavanaugh, nomeado pelo Presidente Donald Trump para o Supremo Tribunal dos EUA, ainda não falou com a principal acusadora do juiz. A revelação foi feita esta terça-feira pelos advogados da professora Christine Blasey Ford.

Numa carta enviada ao FBI, os advogados disseram que é “inconcebível” que a agência conduza uma investigação completa sem entrevistar a sua cliente. Na semana passada, Ford acusou Kavanaugh de a ter agredido sexualmente quando eram adolescentes. O juiz negou a acusação. Ambos testemunharam sob juramento na comissão de Justiça do Senado.

A agência ainda não respondeu à oferta para entrevistar Ford nem a “uma série de emails e cartas” em que a equipa de defesa da professora identificou “testemunhas e provas que provavelmente ajudariam o FBI”, revela a carta. “Esta tarde, soubemos através de relatos dos media que o FBI não pretende entrevistar nem a doutora Ford nem o juiz Kavanaugh. Esperamos que estes relatos sejam imprecisos”, continua.

Investigação concluída antes do prazo?

Citando fontes não identificadas do Partido Republicano, o diário “The Wall Street Journal” revelou que a investigação poderia ficar concluída “logo na terça-feira ou no início de quarta-feira”, ou seja, antes do prazo final de sexta-feira. Sabe-se que o FBI já entrevistou Mark Judge – o amigo de infância de Kavanaugh, que Ford afirma que se encontrava no quarto quando foi agredida sexualmente – e Deborah Ramirez, a colega de Kavanaugh em Yale que o acusa de expor os seus órgãos genitais num jogo de bebida na faculdade.

Ainda na terça-feira, Trump reiterou o seu apoio ao juiz, dizendo acreditar que o Senado acabaria por confirmar Kavanaugh. “Toda a minha vida ouvi ‘és inocente até prova em contrário’ mas agora é-se culpado até prova em contrário”, disse a jornalistas na Casa Branca, acrescentando: “É um momento muito assustador para os jovens na América quando se pode ser culpado de algo de que não se é culpado.”

Mais tarde, num comício em Southaven, no Mississípi, o Presidente dos EUA ridicularizou o depoimento de Ford, sem, no entanto, dizer o seu nome.

“Isto aconteceu há 36 anos. Bebi uma cerveja! Bom, pensa que foi...? Não! Foi uma cerveja. Muito bem, como chegou a casa? Não me lembro. Como chegou lá? Não me lembro. Onde era o lugar? Não me lembro. Há quantos anos foi isso? Não sei. Não sei. Não sei! Não sei! Em que bairro foi? Não sei. Onde é a casa? Não sei! No andar de cima, no de baixo, onde foi? Não sei! Mas eu bebi uma cerveja. Essa é a única coisa de que me lembro. E a vida de um homem está feita em frangalhos”, imitou Trump, entre risos e palmas da plateia.

O advogado Michael R. Bromwich apelidou a performance do Presidente dos EUA de “ataque cruel, vil e sem alma” contra a sua cliente. “É de admirar que [Ford] esteja apavorada por se chegar à frente e que outras vítimas de agressão sexual também o estejam? Ela é um exemplo notável de coragem. Ele é um exemplo de cobardia”, escreveu no Twitter.

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    Em declarações aos jornalistas na Casa Branca, Trump disse que achava que a máxima era “é-se inocente até prova em contrário” e que na verdade passou a ser “é-se considerado culpado até prova em contrário”, referindo-se ao juiz Brett Kavanaugh, cuja nomeação ao Supremo Tribunal de Justiça foi adiada durante pelo menos uma semana para dar tempo ao FBI para investigar as alegações de Christine Blasey Ford, uma das mulheres que o acusaram de assédio sexual

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