Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

À segunda foi de vez. Macron aceitou demissão do ministro do Interior

ALBERTO PIZZOLI/AFP/Getty Images

O Presidente francês pediu ao primeiro-ministro que assegure a pasta interinamente até à nomeação de um sucessor. Emmanuel Macron “considera lamentável que Gérard Collomb se tenha colocado na situação que o levou a demitir-se”. Depois dos ministros do Ambiente e do Desporto, esta é a terceira demissão ministerial em pouco mais de um mês

Depois de uma primeira recusa, o Presidente francês Emmanuel Macron aceitou a demissão do ministro do Interior, Gérard Collomb. A informação foi avançada à agência France Presse na madrugada desta quarta-feira pelo Palácio do Eliseu, que pediu ao primeiro-ministro Édouard Philippe que assegure a pasta interinamente até à nomeação do sucessor de Collomb.

Na terça-feira, o número dois do Governo pediu a demissão pela segunda vez no espaço de dois dias para “regressar a Lyon” e recuperar a presidência da Câmara da cidade. Segundo o Hôtel de Matignon, a residência oficial do primeiro-ministro, Philippe cancelou uma viagem oficial à África do Sul na quinta e sexta-feira na sequência do anúncio.

A comitiva presidencial declarou que Macron “considera lamentável que Gérard Collomb se tenha colocado na situação que o levou a demitir-se”. No mês passado, o ministro demissionário anunciou a sua intenção de concorrer às eleições municipais de 2020 por Lyon, dizendo que pretendia manter-se em funções até depois das europeias de maio de 2019. No entanto, foram muitas as vozes que entretanto pediram a sua demissão.

Uma dessas vozes foi a do antigo eurodeputado ecologista Daniel Cohn-Bendit, que disse que Collomb tinha “direito à reforma”. “Deixem-no abandonar o ministério, deixem-no cuidar dos seus netos, das margaridas”, afirmou.

Três demissões de ministros em pouco mais de um mês

Segundo o jornal “Le Figaro”, o ministro, que criticou publicamente a falta de humildade e de capacidade de escutar do Executivo, apresentou a demissão ao chefe de Estado na segunda-feira ao final do dia. Collomb disse ao jornal que não queria que o Ministério fosse desestabilizado por uma decisão política que lhe dizia respeito, ou seja, a escolha de voltar a concorrer à autarquia de Lyon, que presidiu durante 16 anos antes de ser nomeado ministro do Interior, em maio de 2017.

Contudo, numa primeira fase, Macron recusou o pedido. “Face aos ataques a que o ministro tem sido sujeito desde que confirmou que seria candidato, quando chegasse a hora, a presidente da Câmara de Lyon, o Presidente da República renovou a sua confiança nele e pediu-lhe que continuasse totalmente mobilizado na sua missão para a segurança dos franceses”, informou o Palácio do Eliseu.

No final de agosto, o então ministro do Ambiente, Nicolas Hulot, anunciou a sua demissão durante uma entrevista na rádio por se sentir “totalmente só” nas questões ambientais. Na semana seguinte, foi a vez da então ministra do Desporto, Laura Flessel, apresentar a sua demissão, invocando “motivos pessoais”.

  • Presidente de França trava demissão de ministro do Interior

    Em setembro, Gérard Collomb anunciou a sua saída do Governo após as eleições europeias de maio de 2019 para se apresentar, no ano seguinte, às eleições municipais de Lyon. Desde então, várias vozes se levantaram para exigir a demissão imediata do ministro. Entre o final de agosto e o início de setembro, demitiram-se os ministros do Ambiente e do Desporto

  • “Watergate francês”: Macron acusado de montar “polícia paralela” (e de abafar o caso)

    Ambiente elétrico na Assembleia Nacional francesa, onde decorrem desde esta segunda-feira de manhã audições de uma comissão parlamentar que já interrogou o ministro do Interior e o prefeito de Paris. Em causa está o chefe da segurança do presidente Macron, um civil de 26 anos que se disfarçava de polícia, designadamente para atacar e prender manifestantes. Eliseu e Governo tentaram abafar tudo

  • Nova lei sobre asilo e imigração aprovada em França, com críticas à direita e à esquerda

    Após vários meses de controvérsia, foi aprovada a legislação cujo objetivo é facilitar tanto a expulsão dos requerentes de asilo chumbados, como o acolhimento dos que são aceites. A esquerda diz-se preocupada com a possibilidade de crianças ficarem atrás das grades durante três meses. A direita considera o texto “frouxo”, temendo que acabe por conceder um estatuto legal a mais migrantes