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Internacional

Sínodo dos Bispos discutirá no Vaticano a vocação dos jovens

Cool Foto Max Rossi / Reuters

Numa altura em que os casos de pedofilia ensombram a Igreja, a instituição dedica um mês a um debate sobre os jovens, incluindo tentar perceber porque estes se estão a afastar. Encontro começa esta quarta-feira e prolonga-se até ao dia 28

“Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” é o tema escolhido para o próximo Sínodo dos Bispos, que arranca esta quarta-feira no Vaticano, com o desafio de entender porque estão os mais novos a afastar-se da Igreja. Até ao dia 28, um total de 408 padres sinodais, segundo a Agência Ecclesia, e dezenas de especialistas, debaterão também formas de os ajudar a encontrar as suas vocações - sejam elas leigas ou religiosas.

Numa altura em que a Igreja está debaixo de fogo por causa dos escândalos de pedofilia, os organizadores preferem ver no encontro uma oportunidade para mostrar que a instituição católica vai muito além dos casos de abusos denunciados e dos seus supostos encobrimentos. “A Igreja não é representada por aqueles que cometem erros. A Igreja é mais importante e fundamental que isso”, afirma o cardeal Lorenzo Baldisseri.

O Papa Francisco fará a abertura do sínodo, que dará continuidade aos encontros realizados em 2014 e 2015 sobre vida familiar, que inspiraram a controversa abertura da Comunhão aos divorciados e católicos recasados.

Durante a conferência de imprensa para a apresentação do sínodo, Baldisseri fez referência à presença de jovens na assembleia que lidará com seus problemas. Especificou que a novidade é que esses 36 jovens, vindos de todo o mundo, se sentarão para debater e poderão contribuir com as suas ideias, embora não possam votar uma vez que esta é apenas uma prerrogativa dos bispos.

Em paralelo, uma conferência foi organizada em Roma, por grupos de mulheres católicas, que há muito pressionam a favor de uma maior participação feminina nas decisões da Igreja.

Neste sínodo, também nenhuma mulher poderá votar o documento final. E são poucas as que participam como especialistas ou integradas no grupo dos jovens.

Presença de dois bispos chineses

Na XV Assembleia Geral ordinária do Sínodo dos Bispos, participam ainda dois bispos chineses. A presença de ambos foi confirmada pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, indicando que o convite foi endereçado pelo Papa Francisco.

A presença de dois bispos chineses no Vaticano representa o desanuviar das tensões entre a China e a Santa Sé, depois da assinatura, em Pequim, de um acordo provisório para a nomeação de bispos, principal motivo do conflito entre os dois Estados.

Os laços diplomáticos entre a China e o Vaticano são inexistentes desde 1951, após a excomunhão por parte de Pio XII de dois bispos designados por Pequim, facto ao qual as autoridades chinesas responderam com a expulsão do núncio apostólico, que se estabeleceu na ilha de Taiwan.

A China, por sua vez, não reconhece o Papa e tem a sua própria Igreja Católica Patriótica desde 1949, quando Mao Zedong estabeleceu a República Popular da China.

No entanto, as relações bilaterais entre a China e o Vaticano registaram uma certa reaproximação no início do pontificado de Francisco e as partes expressaram, em várias ocasiões, disponibilidade para melhorar os laços.