Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Scott Pritchard foi assassinado à porta de casa. A autora do crime entregou-se 14 anos depois

O nome de Karen Tunmore nunca sequer surgiu na investigação. O peso da culpa fê-la entregar-se, acabando por ser condenada pelo crime que chegou a ter como suspeito o próprio pai da vítima

Catorze anos depois, a morte de Scott Pritchard, violentamente agredido na cabeça à porta de casa, em Hendon, nos subúrbios de Londres, continuava um mistério por decifrar, apesar das sucessivas investigações e horas dedicadas ao processo. A resposta chegou em julho, quando a autora do crime entrou na esquadra de Northumbria para o confessar. Porquê tantos anos depois? Karen Tunmore, 36 anos, disse não ser capaz de viver nem mais um dia com o sentimento de culpa.

Desde janeiro de 2004, mais de 300 agentes recolheram 1.600 testemunhos e analisaram cerca de 4.000 pistas, sem sucesso. Reaberto por mais de uma vez, o processo sobre a morte de Scott Pritchard, então com 19 anos e barbaramente atacado, nunca foi esclarecido. Sem indícios que lhe permitisse uma conclusão, a polícia chegou a acusar o pai da vítima pela morte do próprio filho. Robert Stacey foi detido e ficou 16 meses na prisão, até os investigadores abandonarem a acusação, por reconhecerem não terem provas forenses ou testemunhas que o colocassem no local à hora do crime.

Nada os levou a Karen Tunmore, cujo nome nem sequer foi mencionado no âmbito das diligências.

A resposta chegou quando nada o fazia prever. Tunmore e o jovem que matou não tinham qualquer proximidade, o que explica nunca ter sido relacionada com ele. Segundo explicou ao confessar, na noite do crime ela estava com um elemento de um gang que lhe devia dinheiro, alguém a quem Pritchard tinha também pedido algum dinheiro. Foram ambos ao encontro do jovem, para lhe exigir que pagasse, mas ao perceber que não iam receber, Tunmore disse ter perdido a cabeça e usado o taco que levava para o intimidar.

A descrição que fez da agressão, o número de pancadas e o facto de descrever a cena, dizendo que Pritchard estava sentado, por ter uma lesão num pé, eram factos nunca revelados publicamente e que coincidiam com as conclusões dos investigadores.

Por esses e outros detalhes, a polícia percebeu estar na presença de verdadeira autora do crime, sem margem para dúvidas. A mulher recusou, no entanto, identificar quem a acompanhava. Disse apenas chamar-se Steve e terem perdido o contacto pouco tempo depois, garantindo que agira sozinha.

Finalmente julgada, Karen Tunmore conheceu o veredito esta segunda-feira. Foi condenada a prisão perpétua, com o cumprimento obrigatório de pelo menos 17 anos e meio de prisão. Apenas há alguns dias, Robert Stacey sofreu um enfarte e está hospitalizado. Para o pai do jovem assassinado, ser acusado injustamente destruiu-lhe a vida, declarou recentemente.

A mãe de Scott Pritchard ficou em estado de choque quando soube a verdade. Ao conhecer agora a sentença, lembrou o “filho maravilhoso” que perdeu e sublinhou que “nada poderá aliviar a dor” causada pelas perda e pelas circunstâncias em que morreu. “Justiça”, passou a ser o único desejo, disse ainda: “Agora temos esperança de poder seguir em frente, sabendo que o responsável não poderá destruir outra família”.