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Macedónia. 91% votaram ‘sim’ à mudança de nome mas participação foi baixa e impasse continua

Apoiantes do boicote celebram em Skopje, capital da Macedónia, anúncio da baixa taxa de participação no referendo sobre mudança de nome do país

Chris McGrath/Getty Images

Com resultados inconclusivos, ambos os lados reclamam vitória. O referendo perguntava se os eleitores concordavam em mudar o nome do país para Macedónia do Norte. O objetivo era acabar com uma disputa de três décadas com a vizinha Grécia e abrir caminho para entrada na NATO. Primeiro-ministro pode convocar eleições antecipadas para novembro

Os resultados do referendo deste domingo na Macedónia sobre a mudança de nome do país foram inconclusivos, levando ambos os lados a reivindicarem vitória. O referendo perguntava aos eleitores se concordavam em mudar o nome do país para Macedónia do Norte, tentando assim acabar com uma disputa de três décadas com a vizinha Grécia e abrir caminho para se juntar à NATO.

Dos que votaram, 91% mostraram-se favoráveis à mudança de nome, segundo dados da comissão eleitoral, quando estavam contados 95% dos votos. No entanto, apenas 36,5% dos eleitores foram às urnas, o que dificulta o apoio necessário do Parlamento macedónio. Com a baixa taxa de participação, os opositores da medida alegam que o referendo falhou.

“Aqueles que votaram contra e aqueles que decidiram boicotar mostraram que a grande maioria das pessoas está contra este acordo. E foram eles que enviaram a mensagem mais forte hoje”, disse Hristijan Mickoski, o líder do principal partido da oposição conservadora. A oposição é contra a mudança de nome proposta porque argumenta que poderia ter-se conseguido um acordo melhor nas negociações com a Grécia.

Rússia acusada de promover campanhas de desinformação

A baixa taxa de participação constitui um revés para o Executivo macedónio e para os líderes ocidentais que pediam um mandato popular sólido. Ainda assim, o partido do Governo está confiante de que conseguirá reunir os votos parlamentares para aprovar a mudança de nome. “A vontade dos que votaram deve agora ser transformada em ação política no Parlamento”, disse o primeiro-ministro Zoran Zaev, que também lidera os sociais-democratas.

Para aprovar a mudança de nome, o Parlamento tem de votar mudanças constitucionais. Zaev já disse que se os partidos da oposição não apoiarem estas mudanças, ele recorrerá a “outro instrumento democrático”, a convocação de eleições antecipadas para novembro, para garantir que as mudanças possam ser feitas. Contudo, como lembra o jornal “The New York Times”, o acordo requer ainda o apoio do Parlamento grego, que deverá decidir se retira ou não a sua objeção à entrada da Macedónia na Aliança Atlântica.

Alguns países ocidentais afirmam que a Rússia, que há muito se opõe à expansão da NATO, explorou as divisões na sociedade macedónia através de campanhas de desinformação que inundaram a Internet nas semanas anteriores à votação. Por seu lado, a Grécia opõe-se a que o vizinho use o nome de Macedónia porque isso implica aspirações territoriais relativamente a uma região do norte da Grécia com o mesmo nome.