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Internacional

Violência entre polícia e independentistas regressa à Catalunha

Confrontos entre a polícia e manifestantes pró- independência voltou às ruas de Barcelona

MARTA PEREZ

Os Mossos d’Esquadra (polícia catalã) carregaram na manhã deste sábado sobre grupos de manifestantes independentistas que por sua vez queriam travar uma manifestação a homenagear os polícias que há um ano tentaram impedir o referendo. Dos confrontos resultaram 24 feridos

Quando se aproxima o primeiro aniversário do referendo na Catalunha, voltaram às ruas de Barcelona as cargas policiais sobre os que defendem a independência. Na manhã deste sábado, a polícia catalã (Mossos d’Esquadra) carregou sobre manifestantes pró-independência, que tentavam travar outra manifestação (esta de polícias), a qual pretendia, entre outras coisas, homenagear os agentes da autoridade que há um ano tentaram impedir o referendo.

Dos confrontos deste sábado, resultaram pelos menos 24 feridos, segundo informações dos serviços de saúde locais veiculados pela imprensa espanhola.

Com o objetivo de reclamar melhores salários e prestar homenagem aos polícias que há um ano tentaram travar o referendo, por iniciativa do sindicato Jusapol, afluíram na manhã deste sábado a Barcelona cerca de três mil polícias (segundo números fornecidos pelas autoridades municipais da cidade), oriundos de vários pontos do país.

Para fazer frente àquela iniciativa policial, os Comités de Defesa da República (grupos de cidadãos agrupados em função do seu local de residência) e outros grupos independentistas, de esquerda e anticapitalistas reuniram cerca de seis mil pessoas (ainda de acordo os dados do município de Barcelona). Para estes manifestantes, a reivindicação policial de melhores salários foi meramente uma forma de ocultar a verdadeira razão da iniciativa: homenagear os polícias que há um tentaram impedir o referendo, operação fracassada na qual usaram extrema violência sobre os cidadãos que pretendiam votar.

A 1 de outubro de 2017, a maioria dos eleitores catalães que exerceram o direito de voto pronunciaram-se pela independência daquela comunidade autonómica espanhola.

Neste sábado, segundo relatos de agências internacionais, a carga policial ocorreu quando os Mossos d'Esquadra quiseram dissuadir os manifestantes pró-independência de impedir a iniciativa do sindicato da polícia. Durante o confronto, alguns manifestantes atiraram tinta sobre os elementos da polícia catalã.

Independentistas querem demissões na Generalitat

Entretanto, já depois dos confrontos, os CDR exigiram demissões no Governo autonómico (a Generalitat), lançando também acusações à Câmara de Barcelona (Ayuntamiento).

Os Comités de Defesa da República (criados na sequência do referendo de há um ano, e que pretendem continuar a exibir o facho da independência) chamaram “traidores” ao presidente da Generalitat, Quim Torra, e ao conselheiro (ministro) do Interior, Miguel Buch, por terem permitido as cargas policiais. “Estão a massacrar os nossos”, escreveram os CDR nas redes sociais, segundo noticiou o jornal “El País”. Além de defenderem a independência da Catalunha, os CDR exigem no imediato a libertação dos “presos políticos” e o regresso dos independentistas exilados na sequência do referendo.

O sindicato Jusapol foi criado recentemente. As principais e mais antigas estruturas sindicais da polícia espanhola não apoiaram a iniciativa, que consideraram “populista” e “inoportuna”.