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Mulheres na linha da frente contra Balsonaro

"Ele Não!", foi um dos gritos ouvidos nas ruas de São Paulo

D.R.

Milhares e milhares de manifestantes, na sua maioria mulheres, tomaram hoje as ruas de algumas das principais cidades do Brasil num enorme grito contra o candidato de extrema-direita

O relógio do Largo da Batata, em São Paulo, marcava 14:10 e o trânsito fluía normalmente, quando parte da praça já estava ocupada com bandeiras para a manifestação #EleNão, convocada a partir do facebook por mulheres que se conheceram no grupo Mulheres Unidas Contra Balsonaro. A essa hora, a um quilômetro dali, a estudante Manuela Ramos Deheinzelin, de 19 anos, estava em casa com a avó de 88, e um grupo de amigos dos pais, que se preparavam para sair.

Vestida com um short jeans desfiado e uma t-shirt com a inscrição: “Ninguém nasce mulher: Torna-se mulher – Simone de Beauvoir”, Manuela revelava certa apreensão. Esta será a primeira eleição da qual vai participar. “Minha geração não viveu a ditadura militar e muitos não têm noção do que pode acontecer ao Brasil se Bolsonaro e a intolerância ganharem”. Bisneta do escritor Graciliano Ramos ((1892-1953), figura lendária da cultura brasileira, ela circula num meio que, a poucos dias da eleição presidencial, ainda tem dúvidas em qual candidato votar, mas cujo valor supremo é a preservação da democracia.

De acordo com orientações de segurança, os manifestantes chegam à praça em grupos. Aparentemente há tantos homens quanto mulheres e as cores roxa, rosa e lilás dominam. O clima é de verão. Pessoas de short, tênis ou chinelos de borracha tomam cerveja, caipirinha, conversam, e se misturam aos ambulantes. Há bandeiras de alguns partidos, mas só falam as ativistas do Mulheres Contra Bolsonaro. Entre a multidão está Clarice Herzog, viúva do jornalista assassinado pela ditadura 1975. “Não preciso nem explicar porque estou aqui, né?”, diz, ao mostrar o adesivo #EleNão colado no peito.

O cineasta Claudio Kahns, produtor do filme “Imagens do Estado Novo: 1937-45”, já chegou ao largo tão congestionado pela multidão e num momento de calor tão intenso, que teve dificuldade de se aproximar. “É importante as mulheres se mobilizarem. Nós, homens, temos que estar junto e participar deste momento histórico. O que está em questão não é só a figura do Bolsonaro. Este é um movimento contra o fascismo”, diz.

Uma equipe de produção da Netflix pede para não ser identificada. Uma mulher canta: “Eu beijo homem/beijo mulher/tenho direito de beijar quem eu quiser”. Há faixas, mas muitos cartazes rudimentares de papelão. “Tire seu preconceito do caminho. Vamos passar com nosso amor”.

A psicanalista Lucia Maciel, apesar de não ser ativa do facebook diz que está ali porque é necessário marcar posição contra o avanço da extrema direita, fenômeno que é mundial e não só brasileiro.

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