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Internacional

Bolsonaro deixa hospital a oito dias das eleições

No dia em que o candidato da extrema-direita teve alta hospitalar realizaram-se várias manifestações em diferentes cidades (Porto na imagem).

Carla Carvalho

O rosto da direita brasileira regressa a casa num dia marcado por muitos protestos contra a sua candidatura, sobretudo no Brasil, mas também em outros países, como Portugal. Segundo os seus apoiantes, Bolsonaro não fará campanha de rua

O candidato da direita brasileira às presidenciais do dia 7 de outubro, Jair Bolsonaro, teve neste sábado alta do hospital onde se encontrava a recuperar da facada que sofreu no dia 7 de setembro.

A notícia foi avançada esta tarde (hora portuguesa) pela imprensa brasileira. No entanto, a saída de Bolsonaro do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, não foi presenciada por qualquer jornalista. O político brasileiro - o grande favorito segundo as sondagens a vencer a primeira volta das eleições - abandonou a unidade hospitalar por uma porta secundária.

Bolsonaro foi atingido no início deste mês por uma facada no abdómen, o que o obrigou a um internamento de 23 dias, durante o qual foi submetido a duas cirurgias. A primeira intervenção foi para estancar a hemorragia, logo após o ataque. A outra, também de emergência, serviu para corrigir um problema no intestino.

O candidato da direita está "plenamente recuperado", mas sem condições para fazer uma campanha de rua, disse o presidente do PSL (partido de Bolsonaro), Gustavo Bebbiano. "Ainda há uma fragilidade física que pode causar um retrocesso na recuperação. Não haverá corpo a corpo", afirmou Bebbiano, citado pela imprensa brasileira.

A saída de Bolsonaro do hospital acontece no dia em que muitos brasileiros desceram à rua para protestar contra o candidato que a julgar pelas sondagens será o vencedor indiscutível da primeira volta (embora, segundo as pesquisas, perca a segunda volta, independentemente do adversário).

Segundo um levantamento do jornal "Globo", organizadas pelo movimento #EleNão, foram oficialmente marcadas 30 manifestações em todo o Brasil contra Bolsonaro. De sinal contrário, manifestações a favor do antigo militar tiveram lugar em 11 cidades.

Ações em Lisboa e Porto contra Bolsonaro

Protestos contra o ex-militar que é o rosto da direita brasileira tiveram lugar em vários países do mundo, entre os quais Portugal. Nas duas principais cidades do país, centenas de pessoas manifestaram-se nas ruas.

Em Lisboa, na Praça Luís de Camões, segundo a agência Lusa, juntararam-se cerca de três centenas de pessoas, que cantaram palavras de ordem contra Bolsonaro: "Ele não", "ele nunca", "fascistas, fascistas não passarão" ou "eu não voto no candidato fascista".

Na praça havia também bandeiras do Brasil, bandeiras da comunidade LGBT e balões roxos, em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em março, no Rio de Janeiro.

No Porto, numa organização informal, o local escolhido para o protesto foi a Praça dos Leões. Estiveram presentes centenas de pessoas, na maioria brasileiras e na maioria mulheres. "Ele Não!", "Ele Nunca!", foram as principais palavras de ordem, de manifestantes que cantaram uma adaptação de Bella Ciao.

Protesto também em Berlim

Outro dos países onde a comunidade brasileira se manifestou na tarde deste sábado foi a Alemanha. Em Berlim, segundo a agência Lusa, mais de 300 pessoas responderam ao apelo, lançado nas redes sociais.

No chão, escrito a giz, estava a mensagem "Ele Não", que depois aparecia tem cartazes, traduzida para alemão e inglês.

Marcela Dias, uma brasileira a viver há dois anos em Berlim, foi das primeiras a chegar a May-Ayim-Ufer, numa das margens do rio Spree. "Ele não, ele de jeito nenhum, como pode? Acho que nem é uma questão política ou de direita ou esquerda. É uma questão humanitária", diz.

O protesto "Mulheres unidas contra o Bolsonaro em Berlim" foi criado por Lou Trajano, de 24 anos.

"Estou muito assustada, pensar no nosso Brasil a passar novamente por uma ditadura ou por tempos difíceis com alguém que não está minimamente preparado para governar o país. Dá um clima de incerteza muito grande, é assustador", afirmou a organizadora do protesto, a viver na Alemanha há cerca de dez meses.