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Internacional

Deputados canadianos votam por unanimidade retirada de cidadania honorária a Suu Kyi

Presidente de Myanmar, Win Myint, ao lado da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi

THET AUNG / AFP / Getty Images

Em causa está a recusa da líder de Myanmar em condenar a brutalidade do Exército, que já provocou o êxodo de pelo menos 700 mil pessoas da minoria muçulmana rohingya, desde o ano passado. A ONU defende que os líderes militares devem ser investigados por genocídio. A cidadania honorária foi-lhe concedida em 2007

Os deputados canadianos votaram esta quinta-feira por unanimidade a revogação da cidadania honorária da líder de Myanmar e Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. A votação na Câmara dos Comuns aconteceu um dia depois de o primeiro-ministro Justin Trudeau ter dito que estava a reconsiderar se Suu Kyi ainda merecia tal distinção.

O chefe do Governo acrescentou, no entanto, que a medida não acabaria com a perseguição das centenas de milhares de rohingya, uma minoria muçulmana considerada apátrida em Myanmar, país maioritariamente budista. A cidadania honorária foi concedida em 2007 a Suu Kyi, uma das seis pessoas distinguidas.

Na altura, a distinção foi atribuída na sequência de uma resolução conjunta das duas câmaras do Parlamento. Representantes canadianos disseram à agência Reuters que agora teria de ser formalmente retirada do mesmo modo. Contudo, passada a moção na quinta-feira, os próximos passos ainda não estão definidos.

ONU pediu investigação por genocídio

Em 2015, Suu Kyi tornou-se conselheira de Estado de Myanmar, um cargo que equivale às funções de primeira-ministra. Desde o ano passado, pelo menos 700 mil rohingya fugiram do país depois de o Exército ter lançado uma repressão brutal em resposta a ataques de um grupo militante daquela minoria muçulmana.

Pressionada internacionalmente para condenar a brutalidade do Exército, Suu Kyi recusou-se sempre a fazê-lo – mesmo depois de um relatório das Nações Unidas ter sugerido, no mês passado, que os líderes militares de Myanmar devem ser investigados por genocídio contra os rohingya.