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Internacional

Trump acusa China de tentativa de interferência nas eleições de novembro

Spencer Platt/Getty Images

Durante uma reunião do Conselho de Segurança, a que presidiu pela primeira vez, o Presidente dos EUA não forneceu quaisquer provas sobre a alegada tentativa de ingerência, que as autoridades chinesas rejeitaram de imediato. Mais tarde, Trump viria a falar no suplemento de uma empresa controlada pelo Governo chinês, publicado num jornal americano, que promovia os benefícios mútuos do comércio entre os EUA e a China

O Presidente dos EUA, Donald Trump, acusou esta quarta-feira a China de tentar interferir nas eleições para o Congresso, marcadas para 6 de novembro. As alegações constituíram uma surpresa durante uma reunião formal do Conselho de Segurança da ONU, que Trump presidiu pela primeira vez e que deveria concentrar-se na proliferação de armas nucleares, químicas e biológicas.

“A China tem tentado interferir nas nossas próximas eleições. Contra a minha Administração”, disse o Presidente norte-americano, que não fez qualquer referência à alegada ingerência russa nas eleições de 2016, que o levaram ao poder. Trump também não forneceu quaisquer provas sobre a alegada tentativa de interferência da China, que rejeitou de imediato as acusações.

“Não interferimos e não vamos interferir nos assuntos domésticos de qualquer país. Recusamo-nos a aceitar qualquer acusação injustificada contra a China”, disse o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, na mesma reunião do Conselho de Segurança.

“A China está a colocar propaganda” em jornais americanos, acusa Trump

Mais tarde, Trump referiu-se ao suplemento de quatro páginas de uma empresa de media administrada pelo Governo chinês, publicado na edição de domingo do jornal “Des Moines Register”, que promovia os benefícios mútuos do comércio entre os EUA e a China. No entanto, a agência de notícias Reuters lembra que é comum a prática de compra de espaço em jornais norte-americanos por países estrangeiros.

No Twitter, Trump escreveu que “a China está efetivamente a colocar anúncios de propaganda no ‘Des Moines Register’ e noutros jornais, de forma a parecerem notícias. Isso é porque estamos a batê-los no comércio, a abrir mercados, e os agricultores vão fazer uma fortuna quando isto acabar!”.

Durante uma conferência de imprensa, já à noite, Trump descreveu o Presidente chinês Xi Jinping como um amigo, o que levou um repórter a perguntar como poderia ser seu amigo, tendo em conta as alegações que tinha feito contra ele. “Talvez já não seja. Vou ser honesto consigo”, respondeu.

“Eles não querem que eu ou nós ganhemos porque eu sou o primeiro Presidente de sempre a desafiar a China no comércio e nós estamos a vencê-los no comércio, estamos a vencê-los a todos os níveis. Não queremos que eles se intrometam ou interfiram nas próximas eleições”, acrescentou Trump.

Os EUA e a China estão envolvidos numa disputa comercial, alavancada pelas acusações de Trump de que a China tenta há muito roubar a propriedade intelectual dos Estados Unidos, limitar o acesso ao seu próprio mercado e subsidiar injustamente empresas estatais.

Na segunda-feira entraram em vigor taxas alfandegárias, impostas pelos EUA, sobre importações chinesas no valor de 200 mil milhões de dólares (cerca de 170 mil milhões de euros) e, em retaliação, taxas de Pequim sobre produtos norte-americanos no valor de 60 mil milhões de dólares (cerca de 51 mil milhões de euros).

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    O governante chinês fez depender o retomar das conversações da “vontade” dos norte-americanos. A China está a ser obrigada a retaliar e os exportadores americanos, incluindo os fornecedores de gás natural liquefeito, serão “certamente” prejudicados, acrescentou Wang Shouwen. No entanto, o vice-ministro afirmou que a situação atual abre a porta a outros países, nomeadamente à Austrália

  • O Conselho de Estado em Pequim publicou esta segunda-feira um relatório acusando a Administração norte-americana de "unilateralismo, protecionismo e hegemonismo económico" usando práticas de bullying no comércio internacional. O documento sai no dia em que entra em vigor um segundo pacote de taxas aduaneiras aplicadas pelos dois lados. Mercados na Europa abrem no vermelho