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Internacional

ONG apela a todos os países do mundo para que concedam pavilhão a navio Aquarius

MATTHEW MIRABELLI/Getty

Aquarius aguarda, ao largo da costa de Malta, a transferência dos 58 migrantes atualmente a bordo para um barco maltês que deverá depois desembarcá-los em Malta, como foi acordado

A organização Médicos Sem Fronteiras lançou nesta quinta-feira um apelo aos países do mundo para que o barco humanitário Aquarius obtenha um pavilhão, que o Panamá decidiu retirar e sem o qual o navio não pode continuar a salvar migrantes.

"Apelamos a todos os governos, não só aos europeus, a todos os que estimem a vida das pessoas, que nos deem um pavilhão" afirmou Claudia Lodesani, presidente da ONG Médicos Sem Fronteira Itália, responsável pelo Aquarius juntamente com a SOS Mediterrâneo, numa conferência de imprensa em Roma. "Queremos continuar a trabalhar no mar Mediterrâneo, o mar atualmente mais perigoso, de forma transparente e respeitando a lei, como sempre fizemos", acrescentou.

O governo do Panamá anunciou no sábado que irá retirar a bandeira ao Aquarius, último barco humanitário presente no Mar Mediterrâneo. Gibraltar já tinha retirado a licença por alegado desrespeito dos "procedimentos jurídicos internacionais" relativos ao socorro prestado pelo navio humanitário aos migrantes.

"Continuam a morrer pessoas em alto mar. Não é verdade que já não existem mortos, simplesmente já não se sabe porque já não testemunhos, somos o último barco" afirmou Claudia Lodesani.
Segundo a presidente da MSF Itália, contam-se 1.260 mortes no Mediterrâneo desde o início do ano. Frédéric Penard, diretor das operações de SOS Méditerranée, declarou que a oferta do pavilhão pelo Vaticano seria "bem-vinda", depois de essa possibilidade ter sido comentada na imprensa francesa, citada pela AFP.

O porta-voz do Vaticano, Greg Burke, respondeu não ter, "de imediato", qualquer comentário. Três deputados suíços pediram esta semana ao seu país que conceda o pavilhão helvético ao Aquarius após a decisão do Panamá. "A Suíça tem uma longa tradição humanitária. O nosso país acolhe numerosas organizações internacionais e não-governamentais cujo objetivo é melhorar a situação dos refugiados e de proteger os migrantes", dizem os deputados.

O Aquarius aguarda, ao largo da costa de Malta, a transferência dos 58 migrantes atualmente a bordo para um barco maltês que deverá depois desembarcá-los em Malta, como foi acordado.
Os migrantes serão posteriormente acolhidos pela Alemanha, Portugal, Espanha e França, países que aceitaram partilhar o seu acolhimento.