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Investigação diz que suspeito no caso Skripal foi condecorado como “Herói da Rússia”. Moscovo nega

Handout/Getty Images

O site de investigação Bellingcat afirma que Ruslan Boshirov - um dos dois suspeitos no caso do envenenamento do ex-espião russo - é na verdade Anatoli Chepiga, coronel que cumpriu missões na Tchetchénia e na Ucrânia e que foi distinguido com a mais alta condecoração militar da Rússia. Moscovo insiste que os dois suspeitos são civis

Depois de as autoridades britânicas terem anunciado no princípio de setembro que os suspeitos do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal são dois cidadãos russos, identificados como Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, e ambos membros dos serviços de informações militares russos, a Rússia negou esta sexta-feira que um dos homens em causa seja um coronel altamente condecorado.

A informação fora adiantada esta quarta-feira pelo grupo de investigação Bellingcat. Segundo o 'site' de investigação, especializado na recolha de informações na internet, Ruslan Boshirov é na verdade Anatoli Chepiga, nascido em 1979 em Nikolaievka, aldeia do leste da Rússia, um coronel que cumpriu missões na Tchetchénia e na Ucrânia, tendo sido distinguido com a mais alta condecoração militar russa, a de “Herói da Rússia”, em 2014.

Não há qualquer registo oficial da condecoração, que habitualmente é imposta pelo Presidente russo, diz o Bellingcat, o que sugere que estará ligada a uma missão secreta.

Moscovo garante no entanto que os dois homens são civis, em turismo no Reino Unido.

“Não há nenhuma prova, portanto, continuam a campanha de informação para desviar a atenção da questão principal: o que aconteceu em Salisbury?, escreveu no Facebook a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, referindo-se à localidade inglesa onde Skripal e a filha foram encontrados desmaiados a 4 de março.

Sergei Skripal, 66 anos, e a filha Yulia, 33, foram encontrados inconscientes num banco de jardim, tendo-se apurado mais tarde que tinham sido envenenados com um agente neurotóxico militar 'novichok'.

A investigação sobre o ataque aos Skripal foi alargada ao envenenamento mortal, em julho, da britânica Dawn Sturgess, de 44 anos, na localidade vizinha de Amesbury, também devido aos efeitos da substância química novichok.

A mulher foi contaminada após manusear um recipiente que continha o agente neurotóxico e que também afetou, mas de forma menos grave, o companheiro Charlie Rowley.

O caso Skripal provocou uma crise diplomática que se traduziu numa ação coordenada inédita de expulsão de diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos países-membros da União Europeia, a que a Rússia respondeu com a expulsão de diplomatas ocidentais.