Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Número de mortos por cólera no Zimbabué sobe para 48

JEKESAI NJIKIZANA/Getty

Das 48 mortes, 46 ocorrreram na capital do país, em Harere, em subúrbios onde o surto começou em 6 de setembro. Apenas uma vítima morreu na província oriental de Manicaland e outra na província do sul de Masvingo

O surto de cólera no Zimbabué já provocou 48 mortes e o número de casos de contágio com a doença superam os 6.400, anunciaram nesta quarta-feira fontes da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Segundo o último relatório da situação, agora o número de mortos é de 48", afirmou Wendy Julias, porta-voz da OMS no Zimbabué, à agência noticiosa Efe.

Das 48 mortes, 46 ocorrreram na capital do país, em Harere, em subúrbios onde o surto começou em 6 de setembro. Apenas uma vítima morreu na província oriental de Manicaland e outra na província do sul de Masvingo. De acordo com Wendy Julias, a maioria dos pacientes nos acampamentos de tratamento nas áreas afetadas da cidade estão a ser tratados com métodos de reidratação oral.

"Há uma estirpe de cólera resistente a vários medicamentos, mas o tratamento ainda é a reidratação oral", referiu Julias, acrescentando que os antibióticos são usados exclusivamente para tratar casos graves.

O surto foi detetado a 6 de setembro nos subúrbios de Glen View e Budiriro, de onde uma fuga nas canalizações teria contaminado a água dos poços comunitários que abastecem os vizinhos, segundo funcionários do Concelho Municipal de Harare. Harare, tal como outras cidades do Zimbabué, conta com várias áreas sem um sistema de água corrente potável, o que obriga os residentes a usar água de poços não protegidos.

No passado dia 11, as autoridades declararam o estado de emergência, proibindo concentrações nas ruas de Harare, assim como a venda ambulante de carne e de peixe nas áreas afetadas, uma medida que alguns locais ignoram por tratar-se da sua única forma de subsistência.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) enviou para o Zimbabué, país fronteiriço com Moçambique, especialistas epidemiológicos e especialistas para organizar uma campanha de vacinação, além de mandar 'kits' com material de reidratação e antibióticos para tratar os doentes.

Organizações dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional (AI), apontam o Governo do Zimbabué como único responsável por esta crise, por não melhorar as precárias condições de higiene e da rede de saneamento do país.

"A atual epidemia de cólera é uma terrível consequência da incapacidade do Zimbabué para investir e gerir tanto as infraestruturas básicas de água e saneamento, como o sistema de assistência médica", denunciou na semana passada a diretora executiva de Amnistia Internacional no país, Jessica Pwiti. "É espantoso que em 2018 as pessoas continuem a morrer de uma doença evitável", lamentou Pwiti.

Este surto de cólera é o mais mortal desde o de 2008/09, quando a doença matou mais de 4.000 pessoas e infetou cerca de 100.000 no Zimbabué. Esta é a quarta vez nos últimos 15 anos que esta nação da África Austral sofre um surto de cólera, uma doença tratável que causa vómitos e diarreia intensos, e que pode chegar a ser mortal se não for tratada a tempo.