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Médico de seita pedófila nazi não será preso, decidiu tribunal alemão

Hartmut Hopp era o chefe da clínica Colónia Dignidad, cuja história de três décadas foi sinistra

Luís M. Faria

Jornalista

O médico que dirigia a clínica de uma colónia nazi no Chile onde menores eram abusados não será preso. Assim decidiu um tribunal superior alemão, anulando a decisão de uma instância inferior.

Em 2017, Hartmut Hopp, um médico agora com 74 anos, tinha sido condenado a cinco anos de cadeia por cumplicidade nos crimes de Paul Schaeffer, um antigo soldado da Wehrmacht que em 1961 fundou a Colónia Dignidad, uma seita que escravizava os seus membros. Situada a 350 quilómetros de Santiago, a Colónia Dignidad foi lugar de muitos horrores. A partir dos anos 70, chegou a ser usada para fazer "desaparecer" opositores da ditadura de Pinochet.

O tribunal em Krefeld concluiu que se justificava a condenação do tribunal chileno onde Hopp foi originalmente julgado. Em 2011 ele fugira para a Alemanha, que não autorizou a sua extradição mas reapreciou o caso. Além dos abusos sexuais, na Colónia Dignidad praticavam-se múltiplas formas de violência e tortura, incluindo eletrochoques.

Schaeffer fora condenado a 20 anos de prisão e morreu encarcerado em 2010, aos 88 anos. Quanto a Hopp, o seu braço-direito, a questão era se ele conhecia os abusos. Embora os tribunais chilenos tivessem achado que sim e o primeiro tribunal alemão concordasse, o tribunal superior em Dusselforf entendeu que as exigências dos tribunais chilenos em matéria de prova tinham sido inferiores àquilo que a lei alemã exige.

A decisão é final, o que significa que Hopp não será mesmo preso. Como disse agora um comentador, quem vai continuar a cumprir pena perpétua são as vítimas sobreviventes, muitas delas hoje na miséria. Em 2015, um filme protagonizado por Emma Watson e Daniel Bruehl, "A Colónia", contou a história desses horrores que, pelo menos em parte, aparentemente, vão ficar sem castigo.