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Internacional

John Bolton alerta para “consequências terríveis” para países que continuem a negociar com Irão

Michael Brochstein/SOPA Images/LightRocket/Getty Images

O conselheiro de segurança nacional dos EUA falou no encontro anual do United Against Nuclear Iran, um grupo profundamente crítico do acordo nuclear iraniano de 2015, que Trump rasgou em maio. No mesmo fórum, o secretário de Estado Mike Pompeo mostrou-se “perturbado” com os planos europeus para a criação de um canal económico para contornar as sanções norte-americanas

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton, alertou esta terça-feira para as “consequências terríveis” para qualquer país que continue a fazer negócios com o Irão após 4 de novembro. Nesta data, Washington repõe sanções sobre Teerão que tinham sido levantadas ao abrigo do acordo nuclear iraniano de 2015.

“Não tencionamos permitir que as nossas sanções sejam evitadas pelos países europeus ou por qualquer outro”, acrescentou, citado pelo jornal “The New York Times”, num discurso feito no encontro anual do United Against Nuclear Iran, um grupo profundamente crítico do acordo nuclear.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, revelou no mesmo fórum que a Administração Trump estava “perturbada e profundamente desapontada” com os planos anunciados na véspera pelo Reino Unido, França, Alemanha e outros países para a criação de um canal económico para contornar as sanções norte-americanas.

“Esta é uma das medidas mais contraproducentes que se podem imaginar para a paz e segurança regional e global. Ao apoiarem receitas para o regime, estão a solidificar a classificação do Irão como o Estado número 1 no patrocínio do terrorismo”, acusou Pompeo.

Europa tenta salvar acordo, enquanto Trump e Rouhani trocam ofensas

A Europa continua a apoiar o acordo nuclear, considerando-o crucial para a segurança nacional dos seus países. Na sequência da decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de se retirar do acordo em maio, os líderes europeus têm tentado encontrar maneiras de o salvar, na esperança de que o Irão continue a respeitar as restrições ao seu programa nuclear, o que, segundo inspetores nucleares, está efetivamente a acontecer.

Muitos países europeus anunciaram a intenção de continuar a fazer negócios com o Irão, tendo a União Europeia aprovado uma lei que proíbe as empresas de seguir as recomendações norte-americanas. No entanto, alguns gigantes europeus, como a Total e a Volkswagen, já começaram a retirar-se do Irão.

Também na terça-feira, Trump e o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, trocaram ofensas nos discursos proferidos na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. “Os líderes do Irão semeiam o caos, a morte e a destruição”, disse o Presidente dos EUA. Rouhani respondeu sugerindo indiretamente que Trump sofria de uma “fraqueza de intelecto” e “incapacidade de compreender um mundo complexo e interligado”.