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EUA-China. Competição, sim, mas sem “mentalidade de Guerra Fria”, avisa MNE chinês

Wang Yi, ministro chinês dos Negócios Estrangeiros

Lintao Zhang/Getty Images

Wang Yi reuniu-se na terça-feira com o antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger. Esta semana, as relações sino-americanas sofreram um duplo revés, com a aplicação pelos EUA de novas taxas alfandegárias sobre as importações chinesas e a venda planeada de armas a Taiwan

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, defende que “a China e os EUA podem competir mas não devem usar uma mentalidade de Guerra Fria”, de acordo com um comunicado divulgado esta quarta-feira pela tutela. O governante encontrou-se ontem com o antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, à margem de uma reunião nas Nações Unidas.

Wang Yi terá dito a Kissinger que os dois países só teriam a perder se entrassem em confronto. “Nos últimos tempos, algumas autoridades dos EUA têm continuamente obscurecido o nome da China, criando um sentimento antagónico que causa sérios danos à atmosfera dos laços sino-americanos”, acrescentou, sem adiantar nomes.

Se persistir, este comportamento conduzirá as relações pelo caminho errado, o que não é do interesse de nenhum dos países nem da comunidade internacional, preveniu ainda o ministro. As autoridades chinesas esperam que os Estados Unidos as encontrem a meio do caminho para que os dois países possam ter uma “perceção correta” um do outro.

“China deve estar pronta a responder às provocações dos EUA”

Esta semana, as relações sino-americanas sofreram um duplo revés, com a aplicação pelos EUA de novas taxas alfandegárias sobre as importações chinesas e a venda planeada de armas a Taiwan, que Pequim reivindica como território sagrado da China.

O jornal estatal em língua inglesa “China Daily” escreve, esta quarta-feira, em editorial, que a venda de armas só vem piorar os laços já fracos dos EUA com a China. “Agora que a Administração Trump está a desafiar, de forma agressiva, os interesses da China nas frentes económica e militar, perguntamo-nos se Washington quer danificar permanentemente as relações sino-americanas”, pode ler-se.

“Uma vez que a Administração Trump está a tentar menosprezar todos os princípios que regem as relações bilaterais numa tentativa desesperada de servir os seus próprios propósitos, a China deve não apenas preparar-se para o pior mas também estar pronta para responder apropriadamente às provocações dos EUA”, recomenda o jornal.

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    O governante chinês fez depender o retomar das conversações da “vontade” dos norte-americanos. A China está a ser obrigada a retaliar e os exportadores americanos, incluindo os fornecedores de gás natural liquefeito, serão “certamente” prejudicados, acrescentou Wang Shouwen. No entanto, o vice-ministro afirmou que a situação atual abre a porta a outros países, nomeadamente à Austrália