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Internacional

Descoberta a verdadeira identidade de um dos supeitos no “caso Skripal”

Alexander Petrov e Ruslan Boshirov captados por uma câmara de vigilância em Salisbury

Handout/Getty

Nomes avançados pela imprensa britânica na altura da conclusão da investigação das autoridades - Ruslan Boshirov e Alexander Petrov - parecem não corresponder à verdadeira identidade dos dois homens que viajaram da Rússia para Salisbury

Um site de investigação online, o Bellingcat, diz ter encontrado a verdadeira identidade de um dos suspeitos pelo envenenamento de Sergey Skripal e da sua filha Yulia, na cidade inglesa de Salisbury, em março passado. Nenhum dos dois morreu, mas uma terceira pessoa, contaminada por restos do agente químico novichok, encontradas num contentor do lixo, acabou por morrer: Dawn Sturgess, uma mulher inglesa de 44 anos.

Os nomes avançados pela imprensa britânica na altura da conclusão da investigação das autoridades - Ruslan Boshirov e Alexander Petrov - parecem não corresponder à verdadeira identidade dos dois homens que viajaram da Rússia para Salisbury tendo abandonado o Reino Unido apenas dois dias depois de chegarem.

O homem agora identificado, e cuja identidade também já foi confirmada por fontes à cadeia televisiva britânica Sky News, é de facto um agente das secretas militares russas, o GRU. Ruslan Boshirov é, de facto, o coronel Anatoliy Chepiga, um agente condecorado com a mais alta honra prevista na Rússia, a de Herói da Federação Russa.

“Esta descoberta, desde então já confirmada por várias pessoas com conhecimento do caso, afasta qualquer dúvida de que os dois suspeitos nos envenenamentos com novichok sejam de facto agentes russos a trabalhar sob instruções do governo russo”, escreve a página.

Na notícia lê-se também que esta descoberta revela o nível de envolvimento do governo na proteção da identidade destes agentes já que nem um agente secreto numa viagem pessoal pode passar as fronteiras do Estado com uma identidade falsa. O próprio Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse publicamente que ambos os suspeitos são civis e não fizeram nada de criminoso mas como é o próprio presidente que entrega o tipo de condecorações que o agente recebeu, é pouco provável que Putin não soubesse quem é Chepiga.

E quem é Chepiga? Anatoliy Vladimirovich Chepiga nasceu perto da fronteira russa com China em 1979. Quando fez 18 entrou na academia militar da sua área de residência, a Academia de Comandos Blagoveschensk, uma das mais prestigiadas do país. Quando concluiu o tempo de academia ingressou numa brigada de elite das brigadas Spetsnaz, sob o comando da GRU. Segundo informações publicadas nesta mesma página, Chepiga recebeu mais de 20 condecorações pelo seu serviço em vários cenários de guerra, incluindo na Chechénia.

A partir daí o seu percurso é mais incerto, sabendo-se apenas que, quando regressou a Moscovo, lhe foi dada a tal identidade com a qual viajou para o Reino Unido e que a sua condecoração - a mais alta na Nação - foi entregue mas em privado. Só se sabe desta honra porque a notícia aparece no site da academia militar na qual Chepiga estudou.