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Expresso

Internacional

Criminoso obrigado a sair do Big Brother das celebridades na Bulgária

O caso de Ivan Glachev, conhecido por Vanko 1, é sintomático de degradação social e mediática num país membro da UE

Luís M. Faria

Jornalista

Mesmo na Bulgária, um país associado a máfias e corrupção, bem como a padrões de vida pública menos do que perfeitos, a presença de Ivan Glachev no Big Brother das celebridades era demais. Enquanto rapper, ele dá pelo nome Vanko 1. Mas o público não o conhece apenas como artista. Toda a gente sabe que foi condenado em 2003 por envolvimento no tráfico de mulheres (e uma criança) para fins de prostituição. Ao que parece, ele usava drogas como forma de as pressionar.

Embora a sua sentença de 12 anos tenha sido misteriosamente encurtada graças a umas emendas oportunas ao código penal - ficou a ideia de que tinham sido feitas expressamente a pensar nele - ainda há quem se indigne com a intenção de normalizar a sua presença pública. Foi o caso de um grupo de mulheres que publicou uma carta aberta a criticar a sua inclusão no programa. "Enquanto sobrevivente de tráfico sexual, sinto-me pessoalmente afetada", disse uma delas.

Glachev, que não se exime a dizer com frequência coisas humilhantes para as mulheres, acabou por deixar o programa, e a companhia sueca que detêm o canal Nova TV anunciou que de futuro os concorrentes de programas não poderão ter condenações criminais graves. Mas há quem diga que a medida vem tarde, pois a degradação dos media já foi demasiado longe. E de qualquer modo, o problema é mais geral. A Bulgária é um importante centro de redes de tráfico humano na Europa.