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Trump elogia na ONU o sucesso da sua administração. Audiência ri-se

CARLO ALLEGRI

Nunca a nação esteve “mais forte, mais segura e mais rica”, garantiu o Presidente dos EUA na Assembleia-Geral das Nações Unidas. Declaração foi recebida com gargalhadas, mas Trump prossegiu para elogiar os “progressos” na Coreia do Norte; atacar o Irão e garantir que os Estados Unidos só ajudarão “os países amigos”

Uma nação “mais forte, mais segura e mais rica.” O Presidente dos EUA elogiou esta terça-feira na Assembleia-Geral das Nações Unidas o sucesso da sua administração, iniciando o seu discurso com a afirmação de que “em menos de dois anos” realizou mais nos Estados Unidos “do que quase qualquer outra administração na história” do país.

Ouviram-se gargalhadas entre a assistência, o que levou Donald Trump a interromper momentaneamente a sua intervenção - “Não esperava essa reação, mas tudo bem”, disse, provocando novas gargalhadas e alguns aplausos.

Enumerou depois os “avanços” conseguidos desde a sua tomada de posse, começando por referir a aproximação com a Coreia do Norte e as “medidas encorajadoras” alcançadas após o encontro que manteve em junho com o líder da nação, Kim Jong Un.

“Concordamos que a desnuclearização da península coreana era do interesse de ambos os países”, sublinhou Trump. "Desde aquela reunião, os mísseis já não voam em todas as direções. Os testes nucleares pararam. Algumas instalações militares já estão a ser desmanteladas”, acrescentou, para depois agradecer a Kim Jong Un pelos passos dados.

Numa declaração muito focada na importância da soberania e independência de cada país e contra “a governação global”, o Presidente norte-americano lembrou que “cada um de nós aqui hoje é o emissário de uma cultura distinta” e de uma “história rica, tradições e valores” que fazem de cada “pátria um lugar como nenhum outro”.

“É por isso que os EUA sempre escolherão a independência e cooperação, em vez de governos globais e controlo”, afirmou: “Honro o direito de todas as nações nesta sala seguirem os seus próprios costumes, crenças e tradições. Os Estados Unidos não lhe dirão como viver, trabalhar ou que fé seguir. Só pedimos que, em troca, reconheçam também a nossa soberania”.

Particularmente violento na passagem que dedicou ao Irão, Trump acusou os seus líderes de semearem “caos, morte e destruição” no Médio Oriente, instando os outros países a unirem-se aos Estados Unidos na repressão económica ao país. E disse ter lançado uma campanha de “pressão económica” para retirar ao Irão os recursos de que necessita para prosseguir a sua “agenda sangrenta” na Síria e no Iémen.

O Presidente dos EUA referiu depois a decisão de se retirar do acordo nuclear iraniano, que considerou “horrível”, e sublinhou que “muitos países do Médio Oriente Médio apoiaram fortemente" a sua opção.

Já no final do seu discurso, Donald Trump garantiu que os EUA estão a olhar com atenção para a ajuda externa que destinam a outros países e para o apoio financeiro que fornecem a organizações internacionais.

“Examinaremos o que está a funcionar, o que não está a funcionar e também se os países que recebem os nossos dólares e a nossa proteção também têm em mente os nossos interesses”, afirmou. Rematou depois: “Só ajudaremos aqueles que nos respeitam e, francamente, aos nossos amigos”.

Trump criticou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, do qual se retirou em junho, por “proteger autores de abusos dos direitos humanos” ao mesmo tempo que ataca os Estados Unidos, e atacou o Tribunal Penal Internacional, afirmando que “não tem nenhuma legitimidade e nenhuma autoridade”.

Prometendo tornar a ONU “mais eficaz e responsável”, o Presidente dos EUA também prometeu mudar a forma como os Estados Unidos financiam os vários programas do organismo internacional. Anunciou mesmo que vai limitar a 25% a contribuição para as missões de paz das Nações Unidas, contra os atuais 28%.