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Trabalhistas votam a favor de segundo referendo sobre o Brexit

OLI SCARFF/GETTY IMAGES

“A opção de permanecer na União Europeia não deve ser excluída”, afirmou um dos porta-vozes do Partido Trabalhista britânico. Foram poucos os membros do partido que votaram contra a moção. O ministro do Interior, Sajid Javid, reiterou que o governo não apoia a realização de um segundo referendo

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O Partido Trabalhista britânico aprovou esta terça-feira, por maioria esmagadora, uma moção que apoia um segundo referendo sobre o Brexit. Foram poucos os membros do partido que votaram contra a moção.

Horas antes da votação, realizada durante o congresso do partido na cidade de Liverpool, Keir Starmer, porta-voz do “Labour” responsável pelo dossier do Brexit, declarou que “se a primeira-ministra não fizer um acordo que vá ao encontro dos nossos interesses, iremos votar contra o acordo dela”. “Um Brexit vago ou cego é um salto para lado nenhum e nós não vamos fazer parte disso. A opção de permanecer na União Europeia não deve ser excluída”, afirmou o porta-voz, recebendo de volta uma grande salva de palmas, segundo descreveu o “Guardian”.

Keir Starmer quis deixar claro que acredita que a melhor solução para o impasse em torno da saída do Reino Unido passa pela realização de eleições nacionais, mas “se isso não for possível”, afirmou, “então é preciso ter outras opções, que incluem fazer campanha por um voto público”. O objetivo da posição por si assumida, disse ainda, “não é frustrar o processo, é parar um Tory Brexit destrutivo”. “É lutar pelos nossos valores. E lutar pelo nosso país”.

As suas declarações contrariam a posição oficial do partido, que sempre garantiu que ia respeitar o resultado do referendo de 23 de junho de 2016, quando 52% dos eleitores britânicos votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. Outros militantes que falaram de seguida pediram cautela de modo a não afastar eleitores ou mostraram-se absolutamente contra um novo referendo. É o caso de Steve Turner, secretário-adjunto do Unite for Union, o sindicato mais poderoso do partido. “Se os deputados conservadores não forem corajosos o suficiente para enfrentar os Johnsons e os Moggs, se falharem, nós exigimos que os cidadãos britânicos sejam novamente consultados. Não no contexto de um referendo, mas pedindo-lhes que votem sobre os termos da nossa saída da União Europeia.”

O ministro do Interior, Sajid Javid, reiterou que o governo não apoia a realização de um segundo referendo. “Não vai existir. Este governo nunca estará a favor”, afirmou, durante uma palestra em Madrid organizada pela agência EFE. O Governo britânico estipulou 29 de março de 2019 como a data de saída efetiva do país da UE, mas as negociações sobre os termos da saída - assim como da futura relação com os restantes países do bloco europeu - continuam.