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Ted Cruz forçado a abandonar restaurante por causa da polémica com Kavanaugh

Joe Raedle

Ativistas de esquerda interpelaram o senador para saber qual a sua posição sobre a polémica envolvendo Brett Kavanaugh. Ted Cruz terá uma palavra importante a dizer sobre a nomeação do juiz americano ao Supremo Tribunal

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A polémica envolvendo o juiz norte-americano Brett Kavanaugh, acusado recentemente de abuso sexual por duas mulheres, continua a crescer. Na noite de segunda-feira, o senador Ted Cruz foi forçado a abandonar o restaurante onde se preparava para jantar com a mulher, perto do Capitólio, em Washington D.C., depois de ter sido abordado por um grupo de ativistas de esquerda que lhe pediram explicações sobre o seu apoio a Kavanaugh.

O juiz é acusado de ter agredido sexualmente duas mulheres, Deborah Ramirez, de 53 anos, e Christine Blasey Ford, e na próxima quinta-feira será ouvido pelo Comité Judiciário do Senado, do qual Ted Cruz faz parte. “Adoraria falar consigo esta noite sobre Brett Kavanaugh. Enquanto eleitora, gostaria de saber se vai votar a favor [da nomeação de Kavanaugh para o Supremo Tribunal dos EUA] ou contra. Sei que é amigo próximo do juiz. Falaram sobre este assunto? Falaram sobre a posição dele em relação a este assunto?”, terá questionado uma mulher que se identificou como vítima de abuso seuxal, segundo se vê num vídeo partilhados nas redes sociais. Ted Cruz não lhe respondeu, assim como não respondeu aos restantes ativistas presentes que lhe pediram explicações e gritaram frases como: “Nós acreditamos nas sobreviventes”. Limitou-se a sair do restaurante.

Depois de ter sido acusado, há cerca de uma semana e meia, de ter tentado ter sexo não consentido com uma ex-colega de liceu, de nome Christine Blasey Ford, Brett Kavanaugh foi denunciado por uma antiga colega da Universidade de Yale, Deborah Ramirez, que disse à revista “The New Yorker” que o juíz apareceu num dormitório, embriagado, e que pressionou o pénis no seu rosto, obrigando-a a tocar-lhe também sem o seu consentimento. Kavanaugh negou todas as alegações, considerando-as “uma difamação, pura e simples”, e Donald Trump veio a público defendê-lo - as alegações que recaem sobre o juiz são “totalmente políticas”, sendo Kavanaugh “um homem perfeito com um passado irrepreensível”, disse o Presidente norte-americano.

Sobre o incidente com Ted Cruz, pronunciou-se o democrata Beto O’Rourke, que compete atualmente com Cruz por um lugar no Senado. “Não está certo o que fizeram ao senador e à sua mulher. A família Cruz merece ser tratada com respeito”, afirmou o candidato democrata numa publicação feita no Twitter.

Ted Cruz terá uma palavra importante a dizer sobre a nomeação de Kavanaugh ao Supremo Tribunal americano e tudo indica que a apoiará. Em julho, Cruz referiu-se-lhe como “um dos juízes federais mais respeitados do país” e disse estar “ansioso por apoiar a sua nomeação”.

Não é a primeira vez que ativistas de esquerda entram em confronto com republicanos ou membros da administração de Donald Trump. Em julho, a senadora republicana Mitch McConnell foi expulsa por vários manifestantes de um restaurante no seu Estado natal, o Kentucky. E um mês antes, Kirstjen Nielsen, secretária do Departamento de Segurança Interna, foi interpelada num restaurante em Washington e questionada sobre o seu apoio às políticas de migração, entretanto revertidas, que levaram à separação de muitas famílias na fronteira entre os EUA e o México.