Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Presidenciais no Brasil: Haddad cresce, Bolsonaro estagna

O candidato do PT num comício nos arredores de São Paulo

Fernando Bizerra Jr./EPA

Pela primeira vez desde 20 de agosto, o candidato da extrema-direita (Bolsonaro) não tem variação positiva e mantém-se nos 28%. O candidato do PT ganha terreno e cresce três pontos percentuais para 22%. Hipótese de Ciro Gomes ser terceira via perde fôlego numa corrida presidencial cada vez mais polarizada

A onze dias das eleições, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) Fernando Haddad continua a encurtar a distância que o separa do favorito das sondagens Jair Bolsonaro, o candidato do Partido Social Liberal (PSL). O ex-prefeito de São Paulo cresceu três pontos percentuais para 22%, revelam as sondagens do Ibope reveladas na madrugada desta terça-feira e em que a margem de erro é de 2%. Haddad continua assim a beneficiar da transferência de votos de Lula da Silva, a cumprir 12 anos e um mês de prisão em Curitiba e que de 2017 a setembro deste ano se manteve como o favorito presidencial de cerca 40% dos eleitores. Desde que, no dia 12, substituiu o ex-presidente como candidato presidencial do PT, Fernando Haddad cresceu 16 pontos percentuais e isolou-se no segundo lugar das preferências dos eleitores.

O candidato apoiado pela coligação “Brasil Acima de Tudo, Deus acima de Todos” não teve qualquer oscilação nesta pesquisa realizada no passado fim de semana e mantém-se nos 28%. É a primeira vez desde há mais de um mês que o candidato de extrema-direita não cresce nas sondagens. Já o mesmo não acontece com a taxa dos que nunca votarão em Bolsonaro - “de jeito nenhum” cresceu quatro pontos percentuais para 46%, no espaço de uma semana, confirmando a liderança do capitão reformado neste indicador quase tão importante como a taxa de aprovação numas eleições que têm segunda volta. Haddad cresceu um ponto percentual para 30%.

Quanto ao candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Ciro Gomes, mantém exactamente os mesmos 11% registados no anterior estudo do Ibope. A manter-se esta tendência de estagnação, perde força a possibilidade de Ciro Gomes se afirmar como uma terceira via à narrativa anti-PT de Bolsonaro e ao pró-Lulismo de Haddad. Um cenário adiantado por muitos analistas políticos nas última semanas, e muito alimentado pela baixa taxa de rejeição (18%) que lhe permitiu ser competitivo quer contra Bolsonaro, quer contra Haddad, por exemplo.

O candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alkmin, que tem o maior tempo de antena de todos os candidatos, ganhou um ponto percentual e fixou-se nos 8%. Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, perdeu um ponto para 5%. Com quase 16% das intenções de voto no início de agosto a ex-candidata às eleições de 2014 foi quem mais recuou na lista de presidenciáveis. Vinte e cinco por cento dos eleitores declara que nunca votará Marina Silva, enquanto Alckmin é rejeitado por 20%.

Mulheres, Chico, Caetano e Gil juntos contra Bolsonaro

O aumento em quatro pontos percentuais da rejeição do candidato de extrema-direita no espaço de uma semana coincide com mobilizações espontâneas de rejeição nas redes sociais, como os hashtag #EleNão e #EleNunca, por exemplo. Aliás, a taxa de rejeição do capitão reformado aumentou ainda mais junto do eleitorado feminino. Na luta contra o candidato que lidera as intenções de voto sobressai um grupo de mulheres reunidas no Facebook “contra o machismo, misoginia e preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e os seus eleitores”. Uma ação que levou já outros movimentos de mulheres e ligados à defesa de minorias e dos direitos humanos a convocar dezenas de manifestações em todo o Brasil e no estrangeiro para o próximo sábado. Em Portugal, a concentração está marcada para as 16 horas de sábado no Largo de Camões.

A oposição ao capitão reformado ganhou ainda mais força esta segunda-feira com a divulgação de um manifesto em defesa da democracia. Os cantores Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil estão entre os mais de 300 intelectuais, artistas e empresários que subscrevem o manifesto.

“Mais do que uma eleição política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso património civilizacional. É necessário rejeitar a normalização e unir forças na defesa da liberdade, da tolerância e destino coletivo entre nós”, diz o manifesto, chamado “Democracia sim”, que foi divulgado ontem nas redes sociais.

Os autores do manifesto lembram que historicamente “líderes fascistas, nazis e de vários regimes autocráticos” começaram por ser eleitos com a promessa de “resgatar a auto-estima e a credibilidade da nação antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários”.

Entretanto, Jair Bolsonaro, deu esta segunda-feira à noite a sua primeira entrevista mais demorada desde que foi hospitalizado na sequência de um atentado há quase três semanas numa arruada no Estado de Minas Gerais. Na entrevista à Rádio Pan, o candidato de extrema-direita negou fazer discurso de ódio e disse acreditar ter sofrido um crime político. Acredita que o autor não agiu sozinho, mas não quis apontar autores morais. “Sou vítima daquilo que eu combato. Prefiro a cadeia cheia de vagabundo que cemitério cheio de inocente”, disse. “Nunca preguei o ódio. Dizem que eu prego o ódio a gays, mulheres... Me aponte um ódio meu agredindo quem quer que seja”, acrescentou Bolsonaro.